Educação em Portugal

Novembro 5, 2011

Ao ponto que chegamos…

Filed under: educação,futuro,opiniões — Zepovinho @ 10:45 pm

Hoje é o meu terceiro dia como aposentada.

Acordei à hora habitual e lembrei-me que, pelo menos hoje, os meus alunos não teriam tantas substituições;  a sexta-feira era o único dia em que não tinham  aulas comigo.

Até à última semana  tinha com eles: 6 tempos de Língua Portuguesa, 3 de Língua Inglesa, 2 de Atividades de Apoio ao Estudo, 1 de Formação Cívica, 1 de Oficina de Leitura e Escrita e 2 de apoio a Língua Inglesa.  Muitas horas, ao longo de um ano e dois meses… uma ligação profunda interrompida abruptamente. Sinto-lhes a falta e, de acordo com alguns emails recebidos, eles também sentem a minha, mesmo os mais complicados.

Então por que saí? Limite de idade? Incapacidade física comprovada? Reforma compulsiva?

Nada disso. Fui mesmo eu que pedi a aposentação antecipada. Tenho 57 anos e meio, 36 anos de serviço efetivo, todos na escola pública, sem licenças nem destacamentos.  Saí com 24% de penalização e com a noção clara que ainda tinha muito para dar à profissão que segui por vocação, a que me dediquei  em regime de exclusividade, seguindo o lema “I’m a teacher, I touch the future!”.

Então o que me levou a pedir a aposentação em Dezembro último? É preciso recuar uns anos, lembrar o ano em que começaram a transformar a profissão docente numa doença terminal.

Em 2005, cheguei de férias em setembro  e tomei o primeiro contato com as grandes reformas da então Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. Surgiram as famosas  OTEs- ocupação de tempos escolares, acabaram os chamados “feriados” e os meninos deixaram de poder libertar energias nos recreios quando um professor faltava e passaram a ficar na sala com outro professor, a fazer…  . Eu, que nunca tinha problemas disciplinares (a partir de outubro de cada ano letivo estavam sempre resolvidos) passei por algumas situações bem desagradáveis. O mais curioso é que, lá no pequeno mundo onde me movia, quem faltava muito continuou e continua a fazê-lo, quem não faltava começou a ficar exausto e a adoecer. Infelizmente são vários os colegas que se encontram afastados por doença, principalmente a partir do ano passado. Até concordo com as OTEs, mas com professores específicos, com tarefas próprias e a crise não deixa…

Depois vieram mais pérolas: o Estatuto do Aluno com as célebres Provas de Recuperação (os atuais PITs –Plano Individual de Trabalho também não são muito diferentes ), as alterações ao Estatuto da Carreira Docente e a Avaliação de Desempenho Docente. Divulgou-se a mentira da ausência de avaliação e da progressão automática. Estávamos em 2007: exigiam a definição de objetivos individuais e eu defini apenas um: chegar à aposentação em pleno uso das minhas faculdades mentais. Não entreguei os ditos objetivos individuais, fui notificada por incumprimento. Até foi interessante. Nessa altura ainda sentia fôlego para estas lutas e até me davam algum gozo. Maior ainda foi o que me deu ver que as ameaças deram em nada, como seria de esperar.

Em 2008, criaram-se os professores titulares. Eu que sempre quis ser apenas professora, uma professora significativa mas nada mais do que isso, tornei-me titular. A escola partiu-se completamente. Ainda por cima, o mundo burocrático desabou sobre os ditos titulares. Sempre desempenhei cargos, não existe no meu registo biográfico um ano em que tivesse apenas dado aulas, mas ter de desempenhar dois e três cargos por ser titular e ter a redução máxima do art.º 79.º era muito pesado. Existiam muitos formulários, muitas siglas, muitas reuniões; escasseava o tempo para fazer o importante, para preparar aulas a sério e não de memória, para fazer avaliação diferenciada ou remediação ativa. Comecei a sentir-me deprimida. Não me deixavam cumprir a meu gosto o conteúdo funcional da minha profissão.

Ainda por cima os titulares eram prisioneiros, não podiam concorrer, eram “propriedade” dos quadros dos respetivos agrupamentos. Vi colegas serem ultrapassados por outros com menores qualificações. Conheço alguns que continuam a fazer muitos quilómetros por dia graças a serem titulares.

Depois chegou a Drª Isabel Alçada e pensei que as coisas podiam melhorar. Puro engano. Escreveu uma aventura suicida, envolta em sorrisos e mensagens pueris, como aquela de votos de bom ano letivo, que passou em todos os blogues. O novo modelo da Avaliação de Desempenho Docente, a reformulação do Estatuto do Aluno com os tais Planos Individuais de Trabalho, a requalificação das  escolas que  deixou ao país uma dívida incomensurável (para não falar das dificuldades das ditas para pagarem a conta da luz e outras) e, finalmente, a reorganização da rede com a criação dos Mega-agrupamentos.

Em setembro de 2009, regressei de férias com a sensação de não ter reposto as energias, como já vinha sucedendo desde 2006. Mal entrei, informaram-me que tinha de ir     apresentar-me noutra escola, a escola sede do Mega-agrupamento. Fiquei siderada. Então nós éramos Agrupamento TEIP e agora íamos ficar na dependência de uma escola secundária, sem a mínima experiência do que é ser agrupamento, até porque as secundárias eram não-agrupadas? A resposta foi afirmativa.

Ainda em choque, dirigi-me à nova Direção. Fui muito bem recebida. Na reunião geral ouvi falar de uma fusão não desejada, de um processo doloroso que teríamos de digerir, encarar como um desafio e transformar num caso de sucesso. A economia manda! Vamos a isso!

Ah, mas esta não era a única novidade: em 2009/10 eu seria Diretora de Turma, Coordenadora dos Diretores de Turma do 2.º ciclo, Gestora de Disciplina e Professora Relatora. Por último seria professora das áreas já referidas.  A função de Relatora era a que mais me custava. Tentei escusar-me. Nada feito. Em nome da senioridade, de acordo com os critérios legais, tinha mesmo de ser eu.

Em dezembro deixei de ser Gestora de Disciplina, pois finalmente perceberam que a minha redução estava há muito ultrapassada. O resto continuou igual. Reuniões infindáveis, deslocações quase diárias entre escolas, às vezes três idas e vindas por dia. As reuniões de avaliação seriam também na escola sede, pois o programa informático estava lá sediado ( onde mais poderia estar?). Lá iríamos com os dossiers, todos ao monte a lançar níveis, faltas e observações. Isto não estava a acontecer!

Mas ainda aconteceu pior. A escola onde trabalhei desde 1987/88 tinha uma boa avaliação externa, estava cotada como das melhores a nível nacional, nos famosos rankings aparecia colocada bem acima das que não eram Territórios Educativos de Intervenção Prioritária. Tudo isto era fruto de muito, muito trabalho. Mas afinal comecei a ouvir que era tudo engano. Expressões veladas anunciavam que não era assim, frases em que ninguém era nomeado ( por razões éticas, dizia-se) afirmavam que a escola era um monte de dívidas e compadrios. Até a um sindicato chegaram estas informações. Foi talvez a gota de água. Comecei a ter perturbações de sono, dores de cabeça inexplicáveis, perdas de memória ( até do local onde estacionara o carro, ou, durante a noite, onde era a minha própria casa de banho, num T2 minúsculo). O médico avisou-me do perigo que corria, aumentou-me a medicação, quis que ficasse em casa. Não obedeci ao último conselho. Em vez disso, entreguei o meu pedido de aposentação antecipada em dezembro. Calculava sair em julho/agosto, de acordo com os prazos previstos.

Até ao fim do ano letivo desenvolvi todas as funções com o máximo profissionalismo, mas sem nunca me subjugar às fações que se foram criando, sem me calar sobre a paulatina destruição de tudo o que estava construído e fora avaliado positivamente, para ser substituído pelo que se considera agora um bom trabalho e não passa de um conjunto de números, grelhas, estatísticas e documentos.  A minha escola descaracterizou-se completamente: os Serviços Administrativos estão desertos, as assistentes operacionais são deslocadas conforme as “necessidades”, ainda não há mediador/a social, os concursos arrastam-se, o número de professores ausentes continua alto…

Senti e sinto o Mega-agrupamento como uma anexação hitleriana. Conheci pessoas admiráveis, é certo, mas perdeu-se a articulação que existia dentro da própria escola; com o primeiro ciclo nem se fala.

A 10 de outubro,  chegou a comunicação oficial da minha aposentação. Trabalhei conforme o previsto até ao fim do mês, fiz os primeiros testes, a reunião intercalar do conselho de turma, o preenchimento das 44 páginas de dados para estatística do modelo de Projeto Curricular de Turma, orientei as planificações da disciplina de Inglês e a grelha de propostas para o Plano Anual de Atividades do Agrupamento e a primeira grande atividade: um concurso de chapéus para celebrar o Halloween. Tudo direitinho.

No dia 31, entreguei os prémios do referido concurso, sorridente e vestida a preceito. Consegui suster as lágrimas na minha última aula, cantando Ghostbusters com os meus alunos.

Quando tocou saltaram das cadeiras num abraço em cacho, que me projetou contra a parede, fizeram-me prometer que os iria visitar. Passei  o bloco à colega de História e Geografia de Portugal, pedindo-lhes que se concentrassem, pois até iam ter teste na aula seguinte.

Já tinha entregue as chaves do cacifo e o computador da equipa PTE que integrei desde início.

Saí de cena.

Não irei para o ensino privado, fui sempre escola pública. Não irei ocupar vagas ou postos de trabalho nesta ou noutra qualquer profissão, muito menos numa altura destas. Além disso, eu só sei educar e ensinar. Encontrarei uma ocupação válida. Partirei para uma coisa nova, ainda não sei bem o quê.

Empurraram-me para a aposentação, que a paguem muitos anos.

4 de novembro de 2011, Maria Amélia Ribeiro Vieira, professora aposentada

Fonte: http://educar.wordpress.com

Junho 20, 2011

Para pensar…

Filed under: educação,futuro,opiniões,utopia — Zepovinho @ 8:47 pm

Novos paradigmas em educação.

Junho 17, 2011

Novo ministro da educação – Nuno Crato

Filed under: educação,futuro,opiniões,políticos — Zepovinho @ 9:01 pm

Foi uma agradável surpresa porque nunca pensei que aceitasse, mas agora que cá está veremos quem vão ser os secretários de estado e quais as políticas que vai implementar.

Parece ser uma boa escolha, mas quem vê caras não vê corações.

Espero que seja o início de uma era de melhor educação, mais exigente e mais organizada. Sem ser o ME a comandar ( e a estragar)  tudo.

Novembro 14, 2010

Os novos movimentos de professores

Filed under: educação,futuro,opiniões — Zepovinho @ 3:31 pm

Nos últimos anos, assistimos a um fenómeno relativamente novo que merece uma atenção especial. Falamos do que ficou conhecido por «movimento de professores», que assumiu proporções até então nunca conhecidas. Nascido da contestação ao novo modelo de avaliação de professores e ao estatuto da carreira docente, este movimento ganhou expressão pública e demonstrou uma capacidade de mobilização que surpreendeu as próprias organizações sindicais, que em certos momentos foram claramente ultrapassadas. Para isso muito contribuiu o recurso generalizado Às novas tecnologias de informação e comunicação, com os blogues e as mensagens electrónicas a estruturarem autênticas redes sociais e informação, debate e mobilização, como nunca tinha acontecido. Foi claramente o primeiro movimento social da era da Internet a ter uma projecção nacional e a alterar a lógica tradicional do conflito entre órgãos de poder e um corpo profissional.

Este facto poderá representar o início de uma nova fase no debate sobre a educação. Passados os momentos mais conturbados e de radicalização de posições, essas redes continuam activas, ficando por saber como é que esse recurso irá ser utilizado em situações futuras. A despeito da inorganicidade do movimento, há laços que se estabeleceram, solidariedades que se desenvolveram, novos intérpretes deste longo debate que se evidenciaram. Neste particular domínio, nada voltará a ser como dantes.

Este excerto de um livro do ex-ministo David Justino surge no blog “A Educação do meu Umbigo”. O artigo escrito por Paulo Guinote merece leitura atenta, a não perder. O futuro da educação( e dos professores) em Portugal passa por considerar estes novos movimentos que poderão levar a profissão docente a outros planos de envolvimento que as estruturas sindicais e outras já não conseguem, até porque estão demasiado enredadas como poder. Agora é evidente que o futuro depende daquilo que nós conseguirmos fazer, ou seja, da relação de empenhamento que conseguirmos. Ninguém dá nada a ninguém…

Abril 25, 2010

O 25 de Abril

Filed under: futuro,liberdade,opiniões,políticos,Portugal,portugueses — Zepovinho @ 7:09 pm

Hoje comemora-se mais um aniversário do 25 de Abril. O que significa esta data?

Para mim que agora tenho 50 anos, este aniversário não conta quase nada, de tão pálido que está. No entanto, quando em 1974 se deu o 25 de Abril, tinha eu 14 anos, foi uma explosão de alegria e de esperança. A revolução trouxe-nos a democracia, a liberdade e a ilusão de uma vida melhor.

Com dois irmãos mais velhos que tinham combatido na guerra colonial a revolução dos cravos significava que já não ia para a guerra. Para mim era significativo, mas mais ainda para a minha mãe que já tinha sofrido com a ida dos meus irmãos. Para mim foi também o “abrir os olhos” para uma realidade democrática que eu desconhecia por completo. Com a minha idade já tinha a noção da ausência de liberdade, do medo de falar, das prisões políticas e da PIDE. Não que nós tivéssemos qualquer actividade política, mas para o cidadão comum essas realidades existiam mesmo assim e havia um sentimento geral de medo.

A entrada em palco, nas nossas vidas, dos partidos políticos e dos seus lindos discursos trouxe a ilusão que tudo ia melhorar. E claro como jovem adolescente acreditei piamente. Da esquerda à direita todos usavam o nome do POVO e prometiam uma sociedade mais justa e próspera. Nunca acreditei nos extremos radicalizados, mas fui-me definindo como alguém que acreditava num “socialismo democrático” ou social-democracia. Tive várias tentações mas nunca me inscrevi num partido político. Numa perspectiva meramente de interesse pessoal creio que  fiz mal. Muitos dos que entraram na política nessa altura estão hoje muito bem na vida…

Trinta e seis anos depois do 25 de Abril de 1974 é desilusão total. Acabaram-se todas as ilusões. É claro que estamos melhor que em 1974, mas a ilusão que se viveu esfumou-se. Hoje há uma enorme amargura por tudo o que poderíamos ter sido e que não atingimos.

Hoje vemos uma sociedade em que grassam as desigualdades sociais,  o desemprego e um certo sentimento de democracia formal, mas que corresponde a uma democracia controlada pelas elites políticas que fazem do POVO o seu instrumento de poder. A esperança é uma palavra invocada pelos políticos mas que está tão gasta e baça que já não brilha. A saúde apresenta muitos problemas, a educação está de rastos, a justiça está ao serviço de uma oligarquia e penaliza mais as vítimas que os criminosos. A economia é um logro em que os trabalhadores sobrevivem mas que alguns aproveitam bem. A CRISE está instalada e é usada para diminuir direitos, regalias e nível de vida, de quem trabalha e faz disso o seu rendimento. Para outros a “vidinha” continua a ser uma maravilha. Aliás muitos dos que criaram a CRISE (por actos ou omissão incompetente) estão mesmo muito bem.

Pela minha parte, estou farto do discurso dos políticos e quero ver praticarem algumas coisas do que falam, quanto antes. Se estas alterações não produzirem um Portugal diferente, espero que seja para as minhas filhas ou netos. Não tenho grandes esperanças, nem ilusões, mas também não estou com a cabeça enterrada na areia. temos de continuara lutar e a insistir para que as coisas mudem e façam do nosso país um lugar mais justo.

Esta visão desassombrada da nossa realidade parece ser partilha por muitos portugueses (basta ver os comentários às notícias), mas nem sempre sabem canalizar a energia certa para solucionar os problemas. Às vezes é mais fácil caírem na mesquinhez do que perceber que temos, todos nós, de ser mais intervenientes e mais exigentes com os nossos políticos, não aceitando as sua ilusões e mentiras.

Março 13, 2010

A grande vergonha

Filed under: disciplina,educação,futuro,Portugal,violência — Zepovinho @ 5:51 pm

Agora veio acima a grande vergonha em que a escola pública portuguesa se tem transformado nos últimos anos. Uma escola que não é um local de aprendizagem e de formação das novas gerações, mas sim o local de violência, de manutenção dos alunos apenas para estarem ocupados e de mentira organizativa e pedagógica.

Na Escola Básica de Fitares, em Rio de Mouro, Sintra, continua a imperar o silêncio. Mas agora vem acompanhado de apreensão. De ainda mais medo. Muitos docentes olham para o caso do professor de Música que se suicidou e revêem-se no seu desespero. Luís atirou-se da Ponte 25 de Abril a 9 de Fevereiro por não aguentar a indisciplina dos alunos. Não era caso único. Era a ponta de um novelo que, ao ser desenrolado, revela histórias de professores agredidos por alunos e pais. Insultos verbais. O último caso grave aconteceu na semana passada. Uma professora de Educação Visual desmaiou depois de ter sido empurrada pelos alunos. Teve um traumatismo craniano.

É claro que há escolas com mais problemas que outras, mas não é assim um fenómeno tão localizado e insignificante como muitos querem fazer crer. Os últimos casos passaram-se em escolas tão díspares como Sintra, Moita e Mirandela. Só não vê quem não quer. Será que um professor tem de ter uma personalidade de polícia de choque para que possa dar aulas na escola pública portuguesa?

As palavras do Sr. Director da DRELVT são simplesmente chocantes e ofensivas. Perante a situação do professor que se suicidou foi lesto em dizer que o professor apresentava fragilidades de personalidade há muito tempo. E então, isso apaga toda a situação de humilhação que o professor sofria no desempenho da sua profissão? Perdoa a inabilidade (ou mesmo crueldade) da direcção da escola que sabia o que se passava e nada fez para penalizar os alunos? Ou o que esse professor sofreu é normal que aconteça numa sala de aula?

Afinal de contas o que se espera dos professores hoje em dia? Que sejam bons profissionais do ensino ou mártires pela causa da indisciplina e má educação que reina em Portugal?

Tudo o que se tem passado prova que a escola que temos está muito doente. Grande parte desta situação advém dos quatro anos de mandato de MLR. Foram quatro anos de constantes ataques aos professores, à sua honra, que produziu um grande desgaste da imagem destes profissionais na sociedade. O estatuto do aluno que nos impingiu destruiu o que restava da disciplina e respeito pelos professores. Agora somos uns burocratas de papel. As faltas não servem para nada. Passamos a vida a elaborar relatórios e os alunos cada vez estudam menos e portam-se cada vez pior. Mas exige-se cada vez mais que haja melhores taxas de aprovação. Há uma enorme pressão por parte das direcções unipessoais (outra herança de MLR) para criar um sucesso artificial e maravilhoso – está tudo bem, mesmo que debaixo do tapete o lixo se acumule. Os Srs directores põem e dispõem, pressionam os professores e ignoram os problemas até ao limite. Tudo o que querem é que a escola esteja tranquila. Quando se sabe de algo na opinião pública logo vêm desvalorizar, senão abafar, o mal que se passa.

Grassa a indisciplina e com ela vem a violência, mais ou menos acentuada. O pequeno acto de indisciplina acarreta a pequena violência que, inevitavelmente, degenera no bullying. Que não haja ilusões.

Com o alargamento da escolaridade ao 12º ano vão aumentar os actos de indisciplina e de violência. Infelizmente as famílias encaram a escola como o local onde os filhos têm de estar enquanto trabalham e não o local de aprendizagem que os filhos precisam para se prepararem para o futuro. E é claro que com esta “desvalorização” familiar vem a desvalorização da sociedade e portanto há muitos alunos que não querem estar na escola, logo aumenta o leque de problemas.

A escola tem de se transformar, rapidamente, num local de trabalho e exigência, para que possamos ter ambiente de trabalho e dessa forma o nosso futuro como sociedade esteja garantido. Se não for este o caminho irão surgir mais casos de infelicidade na escola, mais professores e alunos vão ter vontade de terminar a sua vida escolar. Surgirão outros casos limite e, eventualmente, outros suicídios.

Ler a notícia do PUBLICO

Novembro 26, 2009

Sem professores motivados não vamos lá

Filed under: bom senso,educação,futuro — Zepovinho @ 10:24 am

Em relação a esta notícia publicada no PUBLICO pode ler-se este comentário muito interessante:

H Almeida, Porto. 25.11.2009 22:26

Números da educação

Sem a cooperação dos professores não podemos esperar melhorias relevantes. Provavelmente muitos são dedicados e trabalham imenso, outros acomodaram-se a pouco fazer. Alguma justiça inter-pares é precisa. Há meses vi escrito que milhares de profs. exerciam actividades extra-escolares (trabalho burocrático em autarquias, sindicatos, serviços centrais e regionais do Min da Educação) mas eram remunerados pelo sistema escolar. Será verdade? Todos nós também temos alguma parte de responsabilidade. Enquanto parecer que para singrar na vida não é preciso pensar ou estudar muito e basta esperar o rendimento mínimo, inscrever-se num partido do poder, dar pontapés na bola ou fazer da vida um carnaval, nada mudará. Uns, os mais pobres, continuarão a discutir o penalti, a iludir-se com revistas cor-de-rosa ou a sonhar com euromilhões; ficarão ignorantes, manipuláveis, sem saída. Outros, com melhor conversa, poderão vir a ser a elite do poder mas sujeitar-se-ão à perda do respeito pelos seus concidadãos. Para quem sonhou a 25 de Abril de 1974 que 35 anos depois teríamos um país de cidadãos livres e cultos, liderado por governantes livres, cultos e probos, só pode resignar-se.

Novembro 14, 2009

Outras palavras

Filed under: educação,futuro,políticos — Zepovinho @ 5:42 pm

A nova ministra apresenta um outro discurso, mais simpatia e uns olhos expressivos. O que vai mudar na Educação? Não é possível, ainda, perceber o que nos vai ser proposto, mas pelo menos, o discurso não é tão tenso, não se ataca primariamente os professores.
Esperemos que “os muitos anos de educação” surtam efeitos positivos. Esperemos que não seja apenas “uma nova forma de abordagem”.

Ver a entrevista aqui.

Novembro 3, 2009

Nova ministra da Educação

Filed under: educação,futuro,políticos — Zepovinho @ 7:52 pm

Já tomou posse o novo governo do PS. Já apresentou o seu programa de governo. Afinal de contas, apesar de ter perdido a maioria absoluta, parece que nada mudou na cabeça do Sr. José Sócrates. Volta outra vez a eterna teimosia, a cega visão de um homem que sabe tudo, sem ouvir ninguém quem discorde dele. Aliás parece que um dos grandes problemas da sociedade portuguesa é o casamento entre pessoas do mesmo sexo(!?)

A nova ministra vai governar a Educação, ou vai apenas ser uma marioneta nas mãos do PM? Terá força política para alterar políticas, ou não?

A nova ministra da Educação, caso seja ela a definir efectivamente a política do seu ministério, deverá concentrar a sua acção em quatro vectores essenciais:

- Pacificar o ambiente que existe entre a classe docente e a tutela, contribuindo de forma activa para ultrapassar a imensa quebra de confiança que se criou durante o mandato anterior. Para isso é essencial que reabra o processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente e dê sinais inequívocos que o modelo de avaliação do desempenho é para ser substituído até final de 2009.

- Fomentar um clima de exigência, rigor e disciplina no trabalho quotidiano das escolas, a todos os níveis, incluindo uma responsabilização directa dos alunos (e famílias) pela sua assiduidade, pelo seu desempenho e comportamento na sala de aula e nos espaços escolares.

- Promover de forma consequente uma reflexão profunda sobre a reorganização dos ciclos de escolaridade, a estrutura curricular e os conteúdos programáticos das diversas disciplinas.

- Apostar num ensino de qualidade e não apenas de quantidade, em especial no que se refere à chamada escola a tempo inteiro e à ocupação plena dos tempos escolares. Mais escola não significa necessariamente melhor escola.

Artigo publicado no site do Paulo Guinote

Outubro 22, 2009

Adeus minha senhora

Filed under: bom senso,educação,futuro,políticos — Zepovinho @ 9:25 pm

A Sra. MLR foi avaliada pelos portugueses através dos votozinhos (conforme palavras da dita senhora). O PS perdeu a maioria absoluta e agora tem de ensaiar uma abordagem mais simpática e delicada.

Foi nomeada a Sra. Isabel Alçada. Vamos ver. A mudança das pessoas não é nada, vamos ver as políticas que propõem e as práticas que estabelecem. O facto de ter dito que concordava com as políticas da anterior ministra não é muito abonatório.

Apesar de terem escolas novas, muitos alunos continuam a apreciar os seus professores. Foi uma boa forma (simbólica até) de despedida da anterior ministra. Veja-se aqui.

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