Educação em Portugal

Junho 15, 2009

Uma entrevista, muito cinismo e umas quantas mentiras

Arquivado em: disparates, diversos, educação, políticos — Zepovinho @ 9:45 pm

Este fim de semana o semanário Expresso ofereceu-nos, nas páginas centrais do seu jornal principal, uma entrevista à Sra. Ministra da Educação desta nossa adorável república. Eis a entrevista.

Esta entrevista a uma personagem que não é conhecida pela sua simpatia ou capacidade de diálogo é uma pequena surpresa. Nela surge uma senhora com ar prazenteiro, com alguma dose de ingenuidade em poses uma tanto impróprias para quem ocupa um cargo de Estado. Aparece-nos como uma ministra capaz de descontrair e até sorridente, quase simpática. Este governo está a efectuar uma pequena cirurgia plástica para parecer mais simpático e amoroso. Eis o cinismo.

Durante a triste entrevista fazem-se afirmações falsas como aquela

“Aceitando perfeitamente simpatias pessoais, concordâncias com políticas educativas e mesmo eventuais simpatias partidárias, permitam-me deixar aqui EXPRESSO o meu repúdio por, dentre outras, duas questões por vós elaboradas e colocadas à ministra da educação. São elas:

” Como podemos ter confiança num sistema de ensino onde a quase totalidade dos professores não quer ser avaliada?”
e
“Esperava que pedir aos professores para serem avaliados colocasse 100 mil professores na rua contra a sua política?”

Acho de uma falta de seriedade intelectual ou desconhecimento total da realidade a formulação de duas questões que, em si, são afirmações MENTIROSAS e que vão na linha da bandeira levantada por este ministério para ENGANAR O POVO PORTUGUÊS:

- Os professores SEMPRE foram avaliados, por um modelo bom ou mal, mas SEMPRE foram avaliados e QUEREM, FAZEM QUESTÃO de continuar a ser avaliados;

- Os professores NUNCA lutaram contra a avaliação: lutaram sempre contra ESTE MODELO DE AVALIAÇÃO e este ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE. Que é injusto, incompetente, inadequado, que não distingue os melhores e que apenas serve para que o estado corte nos salários dos professores.

O futuro dirá, caso estas políticas sigam adiante, se não se traduzirão no fim da nossa tão estimada Escola Pública.

E eu cá estarei, como professor, para mais uma vez aguentar os resultados e as consequências das MÁS POLÍTICAS EDUCATIVAS praticadas, sem poder, infelizmente, fazer as devidas cobranças a quem de direito.

Pois os responsáveis pelas mesmas já irão longe.

Como sempre.”

O choque tecnológico

Arquivado em: diversos, educação, portugueses — Zepovinho @ 9:45 pm

“O choque tecnológico está a chegar às escolas portuguesas. Os alunos portugueses vão ter direito ao Magalhães, um computador produzido pela Intel e subsidiado pelo Governo português. Os governantes acreditam que se juntarmos boa tecnologia (concebida nos Estados Unidos, produzida no Extremo Oriente e embalada em Portugal) a maus alunos, más escolas e maus professores vamos obter génios da física e da matemática.

O actual governo tem investido muito no dito choque tecnológico, mas de uma forma que considero bacoca e saloia. Até parece que tudo muda pelo facto de termos muita tecnologia nas escola. Apesar de trabalhar com as TIC na escola não acredito mesmo nada nesta visão governamental. Então não é necessário investir em TIC? Considero que sim mas com objectivos claros e definidos, nunca para inundar as escolas de tecnologia. Isto é apenas “a campanha eleitoral constante” que este governo faz sempre. Quer fazer passar a ideia de modernidade e de investimento na educação, mas o que faz é dar dinheiro às grandes empresas que se movem na área tecnológica. Grande parte desse dinheiro vem daquilo que “retirou” aos professores  ao prejudicá-los na progressão da sua carreira.

Fonte: Blog – http://dererummundi.blogspot.com/2008/08/o-magalhes.html

Novembro 30, 2008

A ministra dos milagres

Arquivado em: disparates, diversos, humor — Zepovinho @ 9:41 pm

2008-11-11
JN
Manuel António Pina

Os professores portugueses parecem ter ganho o gosto às avaliações, e 120 mil (há oito meses foram “apenas” 100 mil) avaliaram de novo a ministra e a “sua” avaliação. Depois do milagre estatístico da Matemática, Lurdes Rodrigues conseguiu proeza ainda mais improvável, a da unanimidade dos professores. Se isso não chega para a sua beatificação – que Sócrates tem em marcha – vou ali e venho já. 120 mil professores na rua (uns “míseros votos”, como lhes chamou Sócrates) contra o naufrágio do sistema educativo e o pesadelo burocrático em que foi transformada a sua profissão, e gritando “deixem-nos ser professores” não é sinal de descontentamento, é algo mais profundo.

Ou deveria ser, para quem tivesse um mínimo de humildade democrática e não confundisse firmeza com auto-suficiência e poder com mando. Se a passagem de Lurdes Rodrigues pelo ME constitui um “study case” de incapacidade técnica e autismo político, a reacção praticamente unânime dos professores em defesa da dignidade da profissão docente é um exemplo de cidadania activa cada vez mais raro no “país em diminutivo” em que nos tornámos.

Novembro 12, 2008

Os malandros do costume

Arquivado em: diversos — Zepovinho @ 5:30 pm

11.11.2008 – 17h30 – Tiago Cruz, Coimbra, Portugal

Os professores são todos uns calões. Toda a gente sabe que não fazem nenhum, que são os inúteis mais bem pagos deste país, que só sabem reclamar, que são uns hooligans mal formados e facilmente manipuláveis pelos sindicatos. Digam lá? Não é bem mais fácil acreditar nisto do que tentar perceber as reais razões da contestação? De caminho, sempre podemos descarregar em alguém pelos nossos rassabiamentos e sentir-nos a “fazer justiça”, tal como este M.E. (diz que) tem feito. Há um problema com este tipo de critérios redutores – é que também se aplicam no sentido inverso: que raio de desocupados pseudo-moralistas circulam pela secção de comentários deste jornal ? É que estão “sempre em todas” – nota-se pelos traços do discurso e mesmo que mudem de “nome” (jamais o verdadeiro, preferindo escudar-se atrás do anonimato, os coitados que tanta coragem têm para a “denúncia” mas não assinam por baixo) é sempre a mesma lengalenga. Sabem porventura que foi na era Guterres que a avaliação de desempenho foi ultrasimplificada ? Que as provas de acesso aos escalões superiores foram abolidas ? Que foi o Eng. Marçal Grilo (fã deste M.E.), que deu os primeiros passos para o fim dos chumbos? Acordem !

A avaliação

Arquivado em: diversos — Zepovinho @ 5:26 pm

Avaliação

Primeiro elaboram-se e aprovam-se os instrumentos de registo.Diário Económico – 12/11/2008

João Paulo Guerra

Depois cada professor fixa os seus objectivos individuais redigindo uma proposta que contemple itens como: melhoria dos resultados, redução do abandono escolar, prestação de apoio à aprendizagem. Os professores preenchem de seguida a ficha de auto-avaliação, na qual apresentarão os resultados do progresso de cada um dos seus alunos.

Sigo a notícia da edição de ontem do Jornal de Notícias sobre avaliação dos professores para tentar encontrar o fio da meada. Entram em cena os coordenadores dos departamentos curriculares, aos quais cabe avaliar os professores com base na preparação, organização e realização das actividades lectivas, relação pedagógica com os alunos e processo de avaliação das aprendizagens. Os avaliadores da avaliação dos professores terão de observar um mínimo de três aulas leccionadas por cada docente. Seguem-se os órgãos de gestão das escolas, ponderando a assiduidade, progresso dos resultados, redução das taxas de abandono, projecto curricular de turma, acções de formação, exercício de outros cargos ou funções, etc.

O Jornal de Notícias, que traçava ontem este circuito kafkiano, ilustrava as etapas da auto-avaliação com um exemplo concreto: uma professora do 1.º e 2.º ciclo, com seis turmas da sua área, mais uma de Formação Cívica, uma de Área Projecto, outra de Jornalismo e ainda apoio no enriquecimento curricular, com um total de 193 alunos, vai fazer 1456 fotocópias, introduzir manualmente 17377 registos em documentos oficiais e participar em 91 reuniões para se auto-avaliar.

E quem vai avaliar este psicótico labirinto burocrático, aliás parente próximo da demente avaliação dos funcionários do Estado cuja produtividade passa a ter por horizonte o umbigo da própria avaliação?

jpguerra@economicasgps.com

Outubro 12, 2008

Valorizar a competência? Grande treta!

Arquivado em: diversos — Zepovinho @ 6:16 pm

O actual modelo de estatudo profissional dos professores (ECD) e a divisão da carreira em dois níveis assenta num pressuposto de valorizar as pretensas competências e valorizar o empenho e o esforço profissional. Mas tudo não passa de uma grande conversa fiada com o objectivo de gastar menos dinheiro. Pura e simplesmente.

Esta conversa da treta elaborada pelo ME serve apenas para jogar com o senso comum da opinião pública. Não coreesponde a nenhuma leitura objectiva da realidade da vida docente.

Para quem, ainda, tiver dúvidas leia estes dois artigos:

- PARA UMA GENEALOGIA DO ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE – 1

- PARA UMA GENEALOGIA DO ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE – 2

Setembro 14, 2008

Mérito e demérito na escola de hoje 2

Arquivado em: diversos — Zepovinho @ 10:01 pm

Mérito e demérito na escola de hoje 1

Arquivado em: diversos — Zepovinho @ 10:00 pm

Maio 28, 2008

Imagine

Arquivado em: diversos — Zepovinho @ 9:40 pm
Tags:

Isto tem andado muito parado.

Vivemos uma certa paz podre, depois do entendimento. A ver vamos…

Enquanto, talvez seja a altura de imaginar e sonhar.

Aqui vos deixo uma música para vos ajudar – Imagine, de John Lenon

Abril 21, 2008

Domínio da comunicação social

Arquivado em: diversos — Zepovinho @ 6:16 pm

É impressionante como este governo tem o apoio de muita da comunicação social. Colaboram em tudo o que pode passar uma mensagem subliminar, cínica e mentirosa, enganado tudo e todos com a sua aparente simplicidade e objectividade.

Há que passar para a opinião pública a ideia que os professores estão zangados com a ministra porque esta os faz trabalhar mais e lhes retirou os privilégios de que gozavam. É uma pobre e indefesa criatura que nem pára para comer e trabalha para o bem comum fazendo tudo aquilo que devia ter sido feito por outros mas não tiveram coragem para tal. Não questionam as alarvidades que ela pronuncia sobre as escolas e a educação. Aceitam pacificamente tudo o que ela diz sobre a educação nos outros países europeus.

Este fim-de-semana tivemos dois exemplos do que acabei de referir. Uma entrevista do Correio da Manhã e um artigo de opinião na revista do Diário de Notícias. Ambas publicadas no passado dia 20.

No caso do Correio da Manhã impressiona a forma aprofundada e preparada como a entrevista é feita. Nota-se que o jornalista (António Ribeiro Ferreira) sabe do que pergunta e estudou bem a lição. Ajustando as perguntas ao discurso da mulher que “admira” e que “tem feito um grande trabalho no Ministério da 5 de Outubro” e tem “tomado um conjunto de medidas que eram necessárias há muitos anos e que por falta de coragem política foram sendo sucessivamente adiadas“. Admirável!

Mas atenção que o jornalista afirma que “…as opiniões, como é óbvio, não interferem na forma como as questões foram colocadas a Maria de Lurdes Rodrigues“. uma ministra que “não pára, muitas vezes nem para almoçar“. Novamente qualifica a senhora ministra como “Uma mulher determinada, inteligente, que percebe bem as razões que levam os professores para a rua. Nunca, em trinta anos, alguém lhes impôs princípios que são hoje universais.” Fantástico. Admirável. Quase que sinto vontade de votar nesta senhora…

Ficamos a saber algumas coisas nesta entrevistinha:

  • A ministra não chantagiou os professores ameaçando os contratados, mas apenas clarificou a situação;
  • Os professores não precisam de ser um corpo à parte da função pública;
  • As associações sindicais criaram nos últimos anos um corpo homogéneo e os professores são muito diferentes;
  • Os professores funcionavam completamente à solta;
  • Com a ministra esta situação mudou, não deixando para os sindicatos a decisão política;
  • A reforma da gestão das escolas e o estatuto do aluno é muito importante;
  • A repetência e o chumbo são os elementos mais facilitistas do sistema educativo;
  • Os chumbos prejudicam muitíssimo a nossa posição no PISA;
  • Hoje há muito conhecimento, a pedagogia evolui muito;
  • O Plano Nacional de Leitura está a pôr a descoberto a falta de preparação dos professores?
  • As aulas de substituição reduziram a indisciplina;
  • Há mais trabalho. Está tudo a trabalhar;
  • A escola é um local muito pacífico e a indisciplina está a baixar;
  • Os casos de violência são gerados no exterior da escola;
  • Com menos dinheiro e menos pessoas conseguiu-se melhores resultados;

Enfim, uma entrevista a não perder, quanto mais não seja para ver até que ponto pode chegar a intoxicação, o cinismo e a técnica de bem dominar a comunicação social.

O outro caso digno de nota foi um artigo de opinião da jornalista Fernanda Câncio no Notícias Magazine. Mais uma obra prima da mensagem subliminar. Uma vez mais percebemos que os professores têm privilégios e não querem ser avaliados e que deviam ser um exemplo para os alunos mas não são.

Página Seguinte »

Blog em WordPress.com.