Este fim de semana o semanário Expresso ofereceu-nos, nas páginas centrais do seu jornal principal, uma entrevista à Sra. Ministra da Educação desta nossa adorável república. Eis a entrevista.
Esta entrevista a uma personagem que não é conhecida pela sua simpatia ou capacidade de diálogo é uma pequena surpresa. Nela surge uma senhora com ar prazenteiro, com alguma dose de ingenuidade em poses uma tanto impróprias para quem ocupa um cargo de Estado. Aparece-nos como uma ministra capaz de descontrair e até sorridente, quase simpática. Este governo está a efectuar uma pequena cirurgia plástica para parecer mais simpático e amoroso. Eis o cinismo.
Durante a triste entrevista fazem-se afirmações falsas como aquela
“Aceitando perfeitamente simpatias pessoais, concordâncias com políticas educativas e mesmo eventuais simpatias partidárias, permitam-me deixar aqui EXPRESSO o meu repúdio por, dentre outras, duas questões por vós elaboradas e colocadas à ministra da educação. São elas:
” Como podemos ter confiança num sistema de ensino onde a quase totalidade dos professores não quer ser avaliada?”
e
“Esperava que pedir aos professores para serem avaliados colocasse 100 mil professores na rua contra a sua política?”
Acho de uma falta de seriedade intelectual ou desconhecimento total da realidade a formulação de duas questões que, em si, são afirmações MENTIROSAS e que vão na linha da bandeira levantada por este ministério para ENGANAR O POVO PORTUGUÊS:
- Os professores SEMPRE foram avaliados, por um modelo bom ou mal, mas SEMPRE foram avaliados e QUEREM, FAZEM QUESTÃO de continuar a ser avaliados;
- Os professores NUNCA lutaram contra a avaliação: lutaram sempre contra ESTE MODELO DE AVALIAÇÃO e este ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE. Que é injusto, incompetente, inadequado, que não distingue os melhores e que apenas serve para que o estado corte nos salários dos professores.
O futuro dirá, caso estas políticas sigam adiante, se não se traduzirão no fim da nossa tão estimada Escola Pública.
E eu cá estarei, como professor, para mais uma vez aguentar os resultados e as consequências das MÁS POLÍTICAS EDUCATIVAS praticadas, sem poder, infelizmente, fazer as devidas cobranças a quem de direito.
Pois os responsáveis pelas mesmas já irão longe.
Como sempre.”

