Educação em Portugal

Outubro 22, 2009

Adeus minha senhora

Arquivado em: bom senso, educação, futuro, políticos — Zepovinho @ 9:25 pm

A Sra. MLR foi avaliada pelos portugueses através dos votozinhos (conforme palavras da dita senhora). O PS perdeu a maioria absoluta e agora tem de ensaiar uma abordagem mais simpática e delicada.

Foi nomeada a Sra. Isabel Alçada. Vamos ver. A mudança das pessoas não é nada, vamos ver as políticas que propõem e as práticas que estabelecem. O facto de ter dito que concordava com as políticas da anterior ministra não é muito abonatório.

Apesar de terem escolas novas, muitos alunos continuam a apreciar os seus professores. Foi uma boa forma (simbólica até) de despedida da anterior ministra. Veja-se aqui.

Agosto 1, 2009

Opinão de MRS

Arquivado em: bom senso, políticos, vergonha — Zepovinho @ 2:51 pm

Ojornal SOL publica uma opinião de Marcelo Rebelo de Sousa muito interessante.

Veja aqui o posto no Blog A educação do meu umbigo.

Povo inculto=povo fácil de (des)governar

Arquivado em: Portugal, bom senso, educação, opiniões, políticos, portugueses — Zepovinho @ 2:38 pm

Podemos perguntar porque razão os políticos têm maltratado tanto a Educação em Portugal, nas últimas décadas. A razão é simples.

Se existisse uma correcta e séria política educativa que alterasse todo este estado de coisas, a educação seria o melhor investimento de futuro do país. Um povo educado e culto sabe como consumir; valoriza a cultura, a arte e o património cultural e ambiental; preserva a natureza e despreza o ilusório e ostentatório; exige competência dos seus superiores profissionais, orgânicos, sociais e políticos; não elege qualquer um ou qualquer vendedor de ilusões para assumir cargos de direcção pública… Não se verga a directivas absurdas, nem se compraz com a corrupção (re)elegendo corruptos! Exerce a sua cidadania de corpo e alma não esperando que outros resolvam os problemas por si. Até apetece perguntar: a quem interessa a teimosia na manutenção deste estado de coisas… na educação? Salazar já sabia que um povo inculto era mais fácil de domar, governar!

Concordo inteiramente com esta visão. Aliás, o último governo, foi exímio na arte de enganar e iludir os portugueses, pois só assim se mantiveram no governo.

Mas infelizmente é o país que somos e ainda temos muito que evoluir. O tempo dirá em que direcção seguimos.

Julho 14, 2009

Os pais têm todo o direito de exigir professores competentes

Arquivado em: bom senso, disciplina, educação, pais — Zepovinho @ 6:24 pm

Os pais têm todo o direito de exigir professores competentes.

Não há dúvida. Esta questão é pacífica. Mas o problema da educação não está aí. Nas aulas que tive a ocasião de assistir, verifiquei o que já se sabia: os professores sabem como dar aulas, o que se passa é que, muitas vezes, não dispõem dos meios e condições humanas, técnicas e administrativas para o poder fazer com qualidade. Logo, genericamente, os professores são competentes ou, potencialmente, competentes.
Um dos maiores problemas está, por um lado, na deficiência dos meios e condições de trabalho e, por outro, na falta de reciprocidade na relação da maior parte das famílias e alunos com a escola e com os professores. Quero dizer, se os pais têm todo o direito de exigir competência e profissionalismo da parte dos professores, estes têm todo o direito de exigir dos pais dos seus alunos e também destes confiança e colaboração positiva com a escola e com os seus professores. Quando estes exigem dos seus alunos um comportamento adequado ao trabalho na sala de aula e reprimem com firmeza uma atitude descabida e, de imediato, um pai ou uma mãe, dando ouvidos acríticos às queixinhas do(a) filho(a), reage queixando-se de que o professor é “autoritário” ou “violento” ou “exagerado”, desautoriza completamente o professor e permite a continuidade do comportamento inadequado do seu filho, prejudicando-o e aos seus colegas.
E não se pense que a indisciplina é apenas a violência em meio escolar e que esta resulta das condições sócio-culturais das famílias. Podemos compreender e compreendemos, com certeza, que há muita gente com enormes dificuldades devido ao desemprego, trabalhos mal remunerados, etc. Mas ser pobre não é o mesmo que ser mal formado ou mal-educado! Há pessoas pobres dignas, respeitadoras e muito educadas, que aproveitam todas as oportunidades que a sociedade lhes oferece, incluindo a formação e educação em meio escolar, para poder sair da pobreza com dignidade. É uma mistificação pensar que os problemas de indisciplina nas escolas se devem à pobreza. O que se passa é bem diferente: instalou-se na sociedade portuguesa a ideia de que a democracia dá-nos, a todos, direitos e todos se sentem na obrigação de reclamar direitos sem a contrapartida e a reciprocidade dos deveres. E, portanto, a própria “educação” das crianças em boa parte das famílias, muitas delas da classe média, faz-se no sentido de que a criança tem direito a tudo, mas não tem o dever de nada. Explico-me melhor: a “educação” familiar, por razões que não importa aqui analisar, tem-se tornado demasiado permissiva. Grande parte das crianças é educada no consumismo com a Consola de Jogos, com a TV, com a NET, com o telemóvel de última geração, com o “Papá dá” para não ter que ouvir a berraria de um «Não!», com a Pizza, o Hamburguer e a Coca: habituadas a ter tudo e, raramente ou nunca, sem terem recebido um «Não». Não estão, de modo algum, preparadas para a frustração e partidas negativas que a vida nos prega. Quando chegam à escola, muitas crianças e adolescentes julgam que tudo lhes é permitido e nada lhes pode ser proibido. A educação, numa boa parte das famílias, tem sido hedonista e irresponsável, guiada apenas pela satisfação e prazer da criança, sem nunca se lhe exigir responsabilidades e contas pela sua liberdade. E isto nada tem a ver com a pobreza, mas com uma certa atitude perante a vida e a sociedade!
A nosso ver, a indisciplina daqui resultante, o julgar que pode usar o telemóvel, falar com o colega, sair do lugar, esconder por brincadeira o material escolar dos colegas, etc., sempre que lhe apetece, e desobedecer, sistematicamente, ao professor ou dizer, contrariando todas as evidências, «Mas eu não fiz nada! O(a) professor(a) é que pega comigo!», ou “O que é que eu fiz?!», etc., não resulta da pobreza mas, pelo contrário, dos excessos de uma “educação” permissiva que medrou nesta sociedade consumista, para a qual grande parte dos portugueses não estava nem está preparada, nem educada.

Logo, o Ministério da Educação, porque não fez o diagnóstico correcto do problema e pretendeu resolvê-lo pegando, exclusivamente, pelo lado dos professores, não resolveu problema nenhum pois pegou pela ponta errada! E toda esta situação é resultante, não da classe docente, mas de todo um conjunto de políticas erradas dos sucessivos governos, que a tal conduziram a sociedade portuguesa. Mas, como quem elege estes políticos e, indirectamente, estas políticas é a maioria dos portugueses, esta só têm que se queixar de si própria.

Zeferino Lopes, Prof. de Filos. na Escola Secundária de Penafiel, em 12 de Julho de 2009.

Fonte: http://educar.wordpress.com/2009/07/14/opinioes-zeferino-lopes/

Julho 12, 2009

É um computador colorido

Arquivado em: bom senso, educação, políticos — Zepovinho @ 6:42 pm
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Acerca do computador Magalhães e dos “elogios” de um suposto técnico internacional. Vejamos esta opinião que é contrária àquela que o ME propagandeou:

“É um computador colorido. Gosto da sua portabilidade. O que me perturba é ter sido dado às crianças como se elas pudessem ter autonomia para trabalhar sozinhas. E os professores?”, pergunta. “Começaria por dar computadores aos professores para trabalharem e organizarem as suas lições. Era isso que recomendaria à vossa ministra da Educação”, responde. O que viu, no Porto ou em Lisboa, foi crianças a brincar com o Magalhães, “como se fosse uma máquina de jogos e não como se tivessem um computador para trabalhar”. “Não deve ter sido para isso que os computadores foram distribuídos. Certamente não eram esses os objectivos do Ministério da Educação, mas sim o da sua integração no trabalho escolar”, sublinha.

Esta opinião parece-me muito mais sensata do que o mero elogio do Magalhães, até com recomendação a Obama e tudo, como se tal fosse possível. Só mesmo os apaniguados do PS acreditam parolamente que Portugal pudesse servir de exemplo para os EUA.

Este post teve origem no De Rerum Natura

Julho 2, 2009

Contributos para compreender o sistema educativo

Arquivado em: bom senso, educação, europa, políticos — Zepovinho @ 10:56 pm

Por outro lado e para além dos constrangimentos económicos de um país pobre, há uma acumulação de erros que resultam de vários factores: decisões políticas menos felizes, mormente no que se refere à concepção do ensino obrigatório que, como atrás se disse, desresponsabilizava o aluno. Por outro lado, desde que entrámos na OCDE, ainda no regime anterior, que as preocupações pelas estatísticas parecem tornarem-se preponderantes, dando uma aparência de sucesso das políticas assumidas e levando a uma atitude de facilitação por parte de alguns professores. Julgo que uma deficiente preparação dos alunos no 1.º ciclo condiciona o sucesso escolar posterior e incompreensivelmente há alunos que chegam ao 2.º ciclo sem saberem ler e escrever e, por isso, dever-se-ia olhar com mais atenção o que se passa neste ciclo das aprendizagens mais básicas. E estas realidades são muitas vezes ocultadas pela tendência para o predomínio das retóricas eloquentes, dos grandes slogans. Certamente que elas são bem intencionadas, mas são desfasadas em relação aos meios disponíveis para a sua concretização, como se elas bastassem para mudar a realidade.”

Para compreender a triste situação do nosso sistema educativo é fundamental ler e compreender o texto apresentado no blog De Rerum Natura.

Julho 1, 2009

Estamos a trair os jovens?

Arquivado em: bom senso, educação, europa, hipócrisias, políticos — Zepovinho @ 10:21 pm

“We have betrayed several generations of children in many ways — by giving the teaching of skills priority over that of knowledge, by making exams easier out of a false egalitarianism, by letting them choose their own morality from a soup of political correctness, by over-emphasising the importance of the computer as if it were anything more than a useful tool, and of the internet as if it were more content-rich than books.”

(“Em muitos aspectos, traímos várias gerações de crianças – demos prioridade ao ensino por competências, em detrimento dos conhecimentos, fizemos exames mais fáceis em nome de uma falsa igualdade social, permitimos que elas fizessem as suas escolhas morais no contexto confuso do politicamente correcto, enfatizámos a importância do computador, como se ele fosse mais do que uma ferramenta útil, e supusemos que a internet era mais rica do que os livros em conteúdos.”)

A não perder este artigo do blog De Rerum Natura.

Junho 18, 2009

A política é implicar as pessoas

Arquivado em: bom senso, políticos, portugueses — Zepovinho @ 2:37 pm
Crónica inútil, infantil e inconsequente

18.06.2009, Rui Cardoso Martins

Em suma, um abuso e uma mistificação.
Muitas vezes pensei num caso da ciência política complexo: o debate entre Kennedy e Nixon, em 1960, quando John F. disse que nunca compraria um carro em segunda mão ao adversário. O futuro Presidente JFK ganhou à vontade para quem viu na televisão. No entanto, segundo as sondagens, no debate na rádio, que foi o mesmo, ganhou Nixon. A explicação, entre os especialistas, foi que na TV se viu o suor na testa de Nixon, que vestira uma roupa que se confundia com o cenário e escolhera mal a gravata, em suma, parecia um vendedor de automóveis em segunda mão.
Ontem tive oportunidade de me sondar nestes assuntos. Às voltas de carro pela cidade, a tratar da chamada vida, assisti (ouvi…) metade do debate do estado da nação, ou moção de censura, na rádio. Fora avisado de manhã, como outros portugueses que compram jornais, que o primeiro-ministro se transformara, do dia para a noite, num político “humilde”, que o Governo reconhecia erros e adoptava outro estilo.
A rádio distorce a mensagem e, por assim dizer, a figura duma pessoa, pois se Nixon ganhou o debate que perdeu com Kennedy, também José Sócrates me não pareceu humilde. A rádio mentia: o primeiro-ministro falava orgulhoso, confiante nos seus decibéis de voz, e ainda mais enervado com os irresponsáveis da oposição do que é costume. Foi traumático porque o director do PÚBLICO me convidara, horas antes, a escrever um “texto sério” sobre o debate e eu respondera que estava a escrever um episódio do Contra-Informação em que o Padre Milícias (Malícias, nos bonecos) ensinava ao primeiro-ministro a humildade franciscana. Que S. Francisco de Assis descobrira a virtude e falava com os lobos e os “irmãos passarinhos”, que o Zezito tentasse dizer “piu-
-piu”. E experimentasse a vida mendicante, a comer do que as pessoas dessem. Ao que o primeiro-ministro respondeu ser o que faz há anos, mendigar votos. Brincadeiras, não um texto sério.
Agora, ou a rádio mentia ou eu comprometera o trabalho. Ouvia o Governo dizer que a oposição é “infantil” e “inconsequente”, a moção de censura um “expediente inútil”, e esta coisa que fica bem quando se está no poder: “Os tempos difíceis exigem rumo certo, exactamente o contrário do que pede a oposição, exigem vontade e determinação. Não é tempo de brincar aos truques políticos, senhores deputados!”
Em casa liguei a TV e vi que o fato se destacava na cerejeira, ou carvalho envernizado, do cenário do Parlamento, e a gravata muito bem, muito bem. Suor, nada. Mas, quanto ao conteúdo e à voz, nada acrescentava à rádio, a não ser que a oposição também montara um “abuso” e uma “mistificação”.
Isto quer dizer que, mais do que o computador Magalhães, os socialistas deram ao mundo uma nova palavra “humildade”, bastante portátil.
A minha filha entrou com a última gazeta da escola. “A política é implicar as pessoas”, escreveu uma criança. “Os grupos políticos têm diferentes opiniões sobre as coisas”, disse a minha filha.
O que uma criança de oito anos expressa limpidamente nem sempre é visto com humildade pelos grupos políticos. Agradeço a todos os que leram este texto, já tive dias melhores e vós também, imagino. Mantenham o rumo.

Maio 31, 2009

O mistério da sala de aula

Arquivado em: bom senso, disciplina, educação — Zepovinho @ 10:18 am
O mistério da sala de aula

31.05.2009, Daniel Sampaio

O incidente com a professora de Espinho adensa o mistério da sala de aula. O episódio levanta muitas questões: que leva uma professora tida como exemplar a ser alvo de um processo disciplinar? Como se compreende que os pais, conhecedores dos erros da docente, não tenham tido eficácia para alterar o comportamento que agora denunciam na comunicação social? E os alunos não poderiam ter manifestado o seu desagrado de modo frontal? Como se explica que alguns pais tenham incentivado o uso de gravações clandestinas, em vez de confrontarem a
professora ou apoiado os seus filhos numa crítica directa? Qual o papel da direcção da escola no assunto? Todas estas questões deverão ser esclarecidas pelo processo disciplinar em curso, para que o telemóvel não continue a ser o herói das nossas aulas.

Precisamos, contudo, de ir mais longe. No meio da indefinição da escola actual, continuamos a
trabalhar a indisciplina, quando nos deveríamos centrar na disciplina. Dito de outra forma: trabalhamos em cima da indisciplina do aluno, que às vezes até tenta “acertar” no comportamento, mas muitas vezes sem perceber porquê. Devemos explicar-lhe que a disciplina é uma das tarefas da autoridade, por isso é urgente trabalhar no sentido da liberdade e assumir a disciplina como uma necessidade para a sala de aula. Ou seja: para promovermos a liberdade crítica dos alunos em relação ao mundo, teremos de reorganizar a escola como um espaço
pedagógico organizado, onde faça sentido estar a trabalhar na aula de modo disciplinado. E, assim, uma gravação clandestina, à socapa, será sempre um acto contra a liberdade e, portanto, sem sentido no espaço escolar, por muito que o professor possa errar: impressiona, por isso,
que haja encarregados de educação que a promovam, qualquer que seja o pretexto.

A sala de aula terá de ser compreendida como um lugar dinâmico e contraditório de transmissão e circulação de saberes, porque o professor deixou de ser o único detentor do conhecimento: por isso a relação pedagógica estabelecida e a capacidade docente de transformar a turma num grupo de trabalho cooperativo são essenciais para o sucesso de todos. Nesta perspectiva, há muito que defendo que a “ordem” na sala de aula, o “portar-se bem” de que falam os professores, resultam muito mais se forem elaborados pelo conjunto e aceites pelo grupo, do que impostos por um regulamento não participado e elaborado em gabinetes. O Estatuto do Aluno, redigido pela tutela, fracassou na prevenção e controlo da indisciplina: onde deveria haver autonomia, em cada escola,
para a construção de um conjunto participado de deveres e direitos, surgiu um articulado elaborado a nível central; onde seria importante compreender e dar força ao sentido local do trabalho pedagógico organizado, vemos os professores perdidos a interpretar alíneas…

É por isso que a indisciplina é muitas vezes uma resposta ao controlo imposto pelo professor ou (pior) pelo Ministério: a acção clandestina subverte a ordem e arrasta consigo novos intervenientes, num jogo sem fim entre o “lado” da norma e o “lado” da transgressão.

A disciplina deve ser um objectivo educacional, porque é a garantia da liberdade e da autonomia na sala de aula e no pátio da escola. Se deixarmos uma criança entregue a si mesma, é pouco provável que seja livre e disciplinada, mas também tenho a certeza de que, se não for feito algum
trabalho para promover a interiorização da disciplina, esta nunca surgirá de forma continuada.

Sem o exercício da disciplina por professores e alunos não haverá apreensão do saber nem produção do conhecimento: por isso, após o esclarecimento de todas as dúvidas por
um processo disciplinar que se deseja isento, o incidente da escola de Espinho deverá ser o início de uma nova época de respeito por cada um e da construção de uma ética relacional na sala de aula.

Psiquiatra

Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain.asp%3Fc%3DA%26dt%3D20090531%26id%3D16841152

Maio 30, 2009

Virar todos contra todos

Arquivado em: bom senso, educação — Zepovinho @ 9:12 pm

Filósofo José Gil diz que o Ministério da Educação “virou todos contra todos”

Para ler


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