Por fim a questão quase central desde 2005: os professores ganham muito, em especial no topo da carreira. Apesar destes dados serem de 2009 e, este ano e no próximo a queda comparativamente à UE ser brutal (com os cortes deste ano e a amputação de dois meses no próximo), o que se verifica é que a meio da carreira (15 anos de serviço normalmente equivalem a 40 anos de idade para quem terminou uma licenciatura e um Ramo de Formação Educacional) os professores portugueses ganham muito menos do nque a média e é aí que os querem fazer estacionar. Numa fase crítica das suas vidas familiares.
O bicho-papão do topo da carreira onde ninguém está (o actual índice 370 do 10º escalão) tornou-se um mito útil. Depois da engenharia colocada a travar as progressões e o enorme número de aposentações, cada vez há menos docentes nos dois escalões outrora mais altos (actuais 8º e 9º), pelo que a acelerada proletarização salarial dos professores dos últimos anos será ainda mais grave com esta classe a tornar-se a mais sacrificada das que têm maior qualificação no país, tornando-se progressivamente menos atractiva e levando a situações como as que se passaram em diversos países europeus, o seja, a necessidade de recrutar cada vez mais os docentes em quem menos garantias dá de qualidade. E não é um exame de acesso que permite escolher os melhores. Apenas escolherá os menos maus.
Fonte: http://educar.wordpress.com/