Educação em Portugal

Julho 27, 2009

A mentira das “Novas Oportunidades”

Arquivado em: disparates, educação, hipócrisias, políticos — Zepovinho @ 7:00 pm

O país encontra-se com uma taxa muito baixa de escolaridade em relação aos países da UE (União Europeia). Logo há necessidade de colmatar esta situação e, para isso foram criadas “As Novas Oportunidades”, uns cursinhos intensivos de três meses, no fim dos quais os “estudantes” (agora com o nome pomposo de formandos) obtêm o certificado de equivalência ao 9º ou 12º anos. Fantástico, se os cursinhos fossem a sério!…

Perante a publicidade aos referidos cursos, aqueles que abandonaram a escola ou, por qualquer razão não concluíram um dos ciclos de escolaridade, esfregaram as mãos de contentes, uma vez que agora se lhes oferece a oportunidade de obterem um certificado de habilitações que lhes poderá vir a ser útil. E como diz o ditado “mais vale tarde do que nunca”, eles lá se inscreveram. Por outro lado, três meses das 7.00 as 10.00 horas, horário pós-laboral, uma vez por semana, era coisa fácil de realizar. Coitados daqueles que andam 3 anos (7º, 8º e 9º anos) para concluírem o 3º ciclo!!! Isso é que é difícil!

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Julho 19, 2009

É a hora do Adeus

Arquivado em: educação, políticos — Zepovinho @ 1:49 pm

Julho 18, 2009

O adeus da ministra da Educação

Arquivado em: opiniões, políticos — Zepovinho @ 3:57 pm

O adeus da ministra da Educação Opinião – Cartas ao Director – Jornal PUBLICO – Manuel Carvalho – 20090718

Símbolo perfeito da era Sócrates, a política de Maria de Lurdes Rodrigues acaba como a maioria das grandes reformas do primeiro-ministro: incompletas ou em estado vegetativo. Já se pode fazer o testamento político da ministra da Educação. Depois de ter anunciado ontem o prolongamento do Simplex da avaliação, Maria de Lurdes Rodrigues fechou a política do ministério para balanço e, como Mário Lino, vai-se dedicar a mudar algumas coisas para que tudo fique como está até Outubro. Quem viu e ouviu as suas palavras de coragem há alguns meses, não deixa de estranhar a sua opção por cuidados paliativos, em vez de tentar a ressurreição da sua reforma moribunda, a da avaliação dos professores. A ministra cumpriu o seu mandato e abdicou de governar. Percebe-se. A dois meses das eleições, não é recomendável irritar ainda mais uma classe profissional enorme e com ramificações em praticamente todaques com ovos à porta das escolas. Lendo o texto destas imagens há-de, no entanto, perceber-se que, no contexto as as famílias portuguesas.
Para a posteridade, Maria de Lurdes Rodrigues ficará em primeiro lugar associada a manifestações gigantescas ou a menos dignos atconformista e comezinho da política portuguesa, ela foi um raro e surpreendente exemplo de convicção e coragem. Se nos capítulos finais da sua reforma da avaliação houve lugar à tergiversação ou ao recuo, não é a ela a quem se deve pedir explicações, mas aos superiores interesses do Governo e do seu primeiro-ministro.
O que torna esta discussão complexa é o facto de as grandes reformas não se fazerem apenas de coragem e determinação. Fazem-se também com sensibilidade e sentido estratégico. Como muitos críticos prenunciaram nos primeiros dias da reforma da avaliação, nunca seria possível obter o sucesso de um modelo justo e compreensível contra a esmagadora maioria da classe. Veja-se, a propósito, o que diz o mais recente relatório da OCDE sobre a avaliação: “Para uma reforma bem-sucedida é necessário o envolvimento e a motivação dos professores”. Mais: “uma avaliação de professores com consequências (…) só acontecerá se os professores se sentirem motivados para fazer o processo funcionar”.

Esta insensibilidade da ministra foi afinal a origem da sua tragédia política. Sabendo-se que uma avaliação a sério, com critérios, quotas para os mais profissionais ou mais talentosos, metodologias, etc. seria sempre rejeitada pelas áreas mais conservadoras ou retrógradas da docência, restava ao ministério um caminho: estabelecer alianças com os professores que, em surdina, se queixam da falta de exigência e do laxismo que grassam em tantas salas de aula do país. Num primeiro momento, Maria de Lurdes Rodrigues deu sinais de que estava a trilhar esse caminho. Os bons professores pareciam dispostos a encarar de frente essa grave injustiça que garante a mesma progressão na carreira aos competentes e dedicados como aos incompetentes e negligentes.
Até que veio o estatuto da carreira docente e os concursos para professor titular. Num ápice, por critérios burocráticos ou simplesmente relacionados com o tempo de serviço, centenas ou milhares de jovens ávidos de mudança viram os melhores cargos ser ocupados por professores cujo mérito consistia apenas em estar no lugar certo na hora certa. Imediatamente ficou claro que o concurso dos titulares cristalizava na prática os defeitos de uma escola que a avaliação tentava combater. A partir dessa hora fundamental, a ministra concentrou na sua pessoa todas as iras e todas as frustrações. Com o tempo e o desgaste, acabaria condenada ao papel que representou esta semana: a de um actor que já não conta para o enredo.
Símbolo perfeito da era Sócrates, a política da ministra acaba como a maioria das grandes reformas do primeiro-ministro: incompletas ou em estado vegetativo. No seu caso, porém, há um méritos a salvaguardar. No futuro próximo, seja qual for o governo, a progressão automática na carreira docente vai acabar. A bem da justiça entre os professores e do ensino, teremos ao menos de lhe agradecer esta mudança.

Julho 15, 2009

Orgulho,diz ela

Arquivado em: educação, políticos, portugueses — Zepovinho @ 9:51 pm

A Língua não é apenas um meio de comunicação, é também um instrumento de conhecimento e de pensamento. A Língua fala em nós tanto quanto nós a falamos, constitui o elemento fundamental da nossa identidade enquanto povo (e, sobretudo, enquanto “pátria”, pluralidade de valores identitários que herdámos dos nossos país e que os nossos filhos herdarão de nós). São, por isso, dramáticas as notícias que dão conta de que, nos recentes exames nacionais do 9.º ano, o número de negativas a Língua Portuguesa aumentou 70%, apesar de o actual ME ter levado o nível de exigência dos exames ao grau zero. A falta de exigência a que se chegou é tal que, para se opor à opinião dos peritos para quem os exames do 12.º ano de Matemática foram este ano de novo “escandalosamente fáceis”, o presidente da APM argumenta que o exame “tinha algumas coisas que exigiam alguma interpretação de (…) linguagem escrita”. Ou seja, o exame não seria assim tão fácil porque… exigia “alguma” interpretação de linguagem escrita. Isto a alunos do último ano do Secundário! Diz a ministra que o país devia “encher-se de orgulho” com isto…

Opinião de Manuel António Pina

A ilusão do ensino profissional

Arquivado em: disparates, educação, políticos — Zepovinho @ 9:48 pm

Talvez seja um “erro histórico” haver poços alunos no ensino profissional, mas para que este ensino não se torne numa fraude e numa ilusão eleitoral deste PS, talvez fosse conveniente apostar na qualidade e empregabilidade destes cursos. Não é o que se passa. Estão a abrir cursos profissionais mas não há investimento na formação e actualização do corpo docente, nem investimento nas escolas para melhorar e actualizar os equipamento tecnológicos.
A única coisa que interessa a Sócrates são os números. Basta vir à televisão e anunciar muitos números e fica todo satisfeito. Mas será que os portugueses não reparam que isto é uma pura ilusão?

Muitos cursos ditos profissionais decorrem sem condições que possam, elas próprias, ser consideradas profissionais. Quem conhece o sistema por dentro sabe das suas imensas imperfeições, as quais não se combatem esticando ainda mais o que existe, antes de colmatar as falhas que existem.

Anunciar 126.000 vagas, 116.000, 136.000, 106.000 ou 146.000 é absolutamente irrelevante e apenas serve para satisfazer a agenda eleitoralista do primeiro-ministro.

OCDE defende alteração do sistema de avaliação de professores

Arquivado em: educação, políticos — Zepovinho @ 9:42 pm

Apesar deste relatório da OCDE (este parece que é mesmo verdadeiro e não a fingir) ser algo crítico da opção do governo quanto à avaliação dos professores, a equipa do ME está de tal modo de cabeça perdida que comentando a opinião da FNE o SE Silva Pedreira só tem palavras ofensivas para com o dirigente desta estrutura sindical. Não há mesmo nada a fazer, com gente desta no ME não há qualquer diálogo possível. Apenas a luta e o desprezo eleitoral.

Para entender melhor esta questão oiçamos a notícia da TSF.

Julho 14, 2009

Os pais têm todo o direito de exigir professores competentes

Arquivado em: bom senso, disciplina, educação, pais — Zepovinho @ 6:24 pm

Os pais têm todo o direito de exigir professores competentes.

Não há dúvida. Esta questão é pacífica. Mas o problema da educação não está aí. Nas aulas que tive a ocasião de assistir, verifiquei o que já se sabia: os professores sabem como dar aulas, o que se passa é que, muitas vezes, não dispõem dos meios e condições humanas, técnicas e administrativas para o poder fazer com qualidade. Logo, genericamente, os professores são competentes ou, potencialmente, competentes.
Um dos maiores problemas está, por um lado, na deficiência dos meios e condições de trabalho e, por outro, na falta de reciprocidade na relação da maior parte das famílias e alunos com a escola e com os professores. Quero dizer, se os pais têm todo o direito de exigir competência e profissionalismo da parte dos professores, estes têm todo o direito de exigir dos pais dos seus alunos e também destes confiança e colaboração positiva com a escola e com os seus professores. Quando estes exigem dos seus alunos um comportamento adequado ao trabalho na sala de aula e reprimem com firmeza uma atitude descabida e, de imediato, um pai ou uma mãe, dando ouvidos acríticos às queixinhas do(a) filho(a), reage queixando-se de que o professor é “autoritário” ou “violento” ou “exagerado”, desautoriza completamente o professor e permite a continuidade do comportamento inadequado do seu filho, prejudicando-o e aos seus colegas.
E não se pense que a indisciplina é apenas a violência em meio escolar e que esta resulta das condições sócio-culturais das famílias. Podemos compreender e compreendemos, com certeza, que há muita gente com enormes dificuldades devido ao desemprego, trabalhos mal remunerados, etc. Mas ser pobre não é o mesmo que ser mal formado ou mal-educado! Há pessoas pobres dignas, respeitadoras e muito educadas, que aproveitam todas as oportunidades que a sociedade lhes oferece, incluindo a formação e educação em meio escolar, para poder sair da pobreza com dignidade. É uma mistificação pensar que os problemas de indisciplina nas escolas se devem à pobreza. O que se passa é bem diferente: instalou-se na sociedade portuguesa a ideia de que a democracia dá-nos, a todos, direitos e todos se sentem na obrigação de reclamar direitos sem a contrapartida e a reciprocidade dos deveres. E, portanto, a própria “educação” das crianças em boa parte das famílias, muitas delas da classe média, faz-se no sentido de que a criança tem direito a tudo, mas não tem o dever de nada. Explico-me melhor: a “educação” familiar, por razões que não importa aqui analisar, tem-se tornado demasiado permissiva. Grande parte das crianças é educada no consumismo com a Consola de Jogos, com a TV, com a NET, com o telemóvel de última geração, com o “Papá dá” para não ter que ouvir a berraria de um «Não!», com a Pizza, o Hamburguer e a Coca: habituadas a ter tudo e, raramente ou nunca, sem terem recebido um «Não». Não estão, de modo algum, preparadas para a frustração e partidas negativas que a vida nos prega. Quando chegam à escola, muitas crianças e adolescentes julgam que tudo lhes é permitido e nada lhes pode ser proibido. A educação, numa boa parte das famílias, tem sido hedonista e irresponsável, guiada apenas pela satisfação e prazer da criança, sem nunca se lhe exigir responsabilidades e contas pela sua liberdade. E isto nada tem a ver com a pobreza, mas com uma certa atitude perante a vida e a sociedade!
A nosso ver, a indisciplina daqui resultante, o julgar que pode usar o telemóvel, falar com o colega, sair do lugar, esconder por brincadeira o material escolar dos colegas, etc., sempre que lhe apetece, e desobedecer, sistematicamente, ao professor ou dizer, contrariando todas as evidências, «Mas eu não fiz nada! O(a) professor(a) é que pega comigo!», ou “O que é que eu fiz?!», etc., não resulta da pobreza mas, pelo contrário, dos excessos de uma “educação” permissiva que medrou nesta sociedade consumista, para a qual grande parte dos portugueses não estava nem está preparada, nem educada.

Logo, o Ministério da Educação, porque não fez o diagnóstico correcto do problema e pretendeu resolvê-lo pegando, exclusivamente, pelo lado dos professores, não resolveu problema nenhum pois pegou pela ponta errada! E toda esta situação é resultante, não da classe docente, mas de todo um conjunto de políticas erradas dos sucessivos governos, que a tal conduziram a sociedade portuguesa. Mas, como quem elege estes políticos e, indirectamente, estas políticas é a maioria dos portugueses, esta só têm que se queixar de si própria.

Zeferino Lopes, Prof. de Filos. na Escola Secundária de Penafiel, em 12 de Julho de 2009.

Fonte: http://educar.wordpress.com/2009/07/14/opinioes-zeferino-lopes/

Julho 12, 2009

É um computador colorido

Arquivado em: bom senso, educação, políticos — Zepovinho @ 6:42 pm
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Acerca do computador Magalhães e dos “elogios” de um suposto técnico internacional. Vejamos esta opinião que é contrária àquela que o ME propagandeou:

“É um computador colorido. Gosto da sua portabilidade. O que me perturba é ter sido dado às crianças como se elas pudessem ter autonomia para trabalhar sozinhas. E os professores?”, pergunta. “Começaria por dar computadores aos professores para trabalharem e organizarem as suas lições. Era isso que recomendaria à vossa ministra da Educação”, responde. O que viu, no Porto ou em Lisboa, foi crianças a brincar com o Magalhães, “como se fosse uma máquina de jogos e não como se tivessem um computador para trabalhar”. “Não deve ter sido para isso que os computadores foram distribuídos. Certamente não eram esses os objectivos do Ministério da Educação, mas sim o da sua integração no trabalho escolar”, sublinha.

Esta opinião parece-me muito mais sensata do que o mero elogio do Magalhães, até com recomendação a Obama e tudo, como se tal fosse possível. Só mesmo os apaniguados do PS acreditam parolamente que Portugal pudesse servir de exemplo para os EUA.

Este post teve origem no De Rerum Natura

Julho 11, 2009

Humor negro

Arquivado em: disparates, educação, políticos, vergonha — Zepovinho @ 6:03 pm
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Estas afirmações da ministra MLR só podem ser encaradas como sendo humor negro. Ou somos todos loucos, ou então querem fazer de nós parvos.
Como é possível que MLR tenha dito

“… que procurou nunca fazer política, destruindo aquilo que os seus antecessores tinham feito. “Pelo contrário, fui dando passos em cima daquilo que era construção e o contributo dos outros governos na área do Ministério da Educação”, sustentou.
“Precisamos de ter um trabalho persistente, diligente, nós não precisamos de rupturas, de destruir. Nós precisamos é de construir”, rematou.”

Desculpem mas esta afirmação dá-me vontade de vomitar.

07.07.2009 – 22h57 – Maria Amélia Guimarães, Lisboa

Só existem para a propaganda. Como salientava recentemente António Barreto, sociólogo e antigo ministro do PS, a «mitologia foi servida pela mais poderosa máquina de propaganda jamais criada em Portugal ao serviço do governo. Assessores, consultores, agências, jornalistas, escribas, empresas especializadas e regras de comportamento e protocolo regularam a vida pública com uma minúcia inédita. (…) Os governantes começaram a acreditar no que mandavam dizer de si e no que os seus servidores inventavam para os bajular. O resultado era previsível: desligaram do país (…)». E o país está cada vez mais enjoado desta propaganda, paga a preço de oiro com o dinheiro dos nossos impostos e num insulto à miséria geral. Felizmente estão de abalada.

A teia burocrática

Arquivado em: burocracia, disparates, educação, políticos — Zepovinho @ 5:03 pm

Os professores vivem mergulhados na planomania. Há planos e relatórios para todos os gostos e por tudo e por nada. Não é por falta de papéis que o ensino não melhora.

A propósito reflicta-se neste post do blog ProfAvaliação. E também neste post do Terrear.

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