Com a devida vénia ao “Anterozóide” e “A Educação do meu Umbigo“
Com a devida vénia ao “Anterozóide” e “A Educação do meu Umbigo“
A Ministra da Educação, Valter de Lemos e Jorge Pedreira afirmaram recentemente em momentos e palcos diferentes que não é o Ministério que produz nem corrige os exames, que esta tarefa é feita por professores e que afirmar que o Ministério estaria a produzir exames mais fáceis em ano eleitoral seria um insulto aos professores.
Veja-se este excelente post para esclarecer mais esta “mentira política” no nosso ME e deste (des)governo.
O que se está a passar no ensino português é trágico. Como importa dar uma imagem de sucesso das políticas educativas tudo tem sido feito para “facilitar” a vida dos alunos. Parece que é bom, mas vai ter efeitos perversos terríveis. O Director do PUBLICO escreve, em editorial, a sua visão, que partilho, do buraco para onde estamos a conduzir o nosso sistema de ensino.
Fonte: A Educação do meu Umbigo
É verdadeiramente impressionante o desplante dos nossos responsáveis pelo ME. Tudo serve para enganar as pessoas e dar uma imagem de “conto de fadas”. No ME está tudo bem, os responsáveis sao muito competentes, está à vista de todos. Há apenas pequenas mentiras, mas de resto, está tudo bem…
Pergunto, agora, e que país da Europa desenvolvida acontecia isto?
Vale tudo para enganar o povo português!
Alguns comentários dos leitores on-line do PUBLICO:
18.06.2009 – 18h21 – Manuel, Figueira
18.06.2009, Rui Cardoso Martins
Em suma, um abuso e uma mistificação.
Muitas vezes pensei num caso da ciência política complexo: o debate entre Kennedy e Nixon, em 1960, quando John F. disse que nunca compraria um carro em segunda mão ao adversário. O futuro Presidente JFK ganhou à vontade para quem viu na televisão. No entanto, segundo as sondagens, no debate na rádio, que foi o mesmo, ganhou Nixon. A explicação, entre os especialistas, foi que na TV se viu o suor na testa de Nixon, que vestira uma roupa que se confundia com o cenário e escolhera mal a gravata, em suma, parecia um vendedor de automóveis em segunda mão.
Ontem tive oportunidade de me sondar nestes assuntos. Às voltas de carro pela cidade, a tratar da chamada vida, assisti (ouvi…) metade do debate do estado da nação, ou moção de censura, na rádio. Fora avisado de manhã, como outros portugueses que compram jornais, que o primeiro-ministro se transformara, do dia para a noite, num político “humilde”, que o Governo reconhecia erros e adoptava outro estilo.
A rádio distorce a mensagem e, por assim dizer, a figura duma pessoa, pois se Nixon ganhou o debate que perdeu com Kennedy, também José Sócrates me não pareceu humilde. A rádio mentia: o primeiro-ministro falava orgulhoso, confiante nos seus decibéis de voz, e ainda mais enervado com os irresponsáveis da oposição do que é costume. Foi traumático porque o director do PÚBLICO me convidara, horas antes, a escrever um “texto sério” sobre o debate e eu respondera que estava a escrever um episódio do Contra-Informação em que o Padre Milícias (Malícias, nos bonecos) ensinava ao primeiro-ministro a humildade franciscana. Que S. Francisco de Assis descobrira a virtude e falava com os lobos e os “irmãos passarinhos”, que o Zezito tentasse dizer “piu-
-piu”. E experimentasse a vida mendicante, a comer do que as pessoas dessem. Ao que o primeiro-ministro respondeu ser o que faz há anos, mendigar votos. Brincadeiras, não um texto sério.
Agora, ou a rádio mentia ou eu comprometera o trabalho. Ouvia o Governo dizer que a oposição é “infantil” e “inconsequente”, a moção de censura um “expediente inútil”, e esta coisa que fica bem quando se está no poder: “Os tempos difíceis exigem rumo certo, exactamente o contrário do que pede a oposição, exigem vontade e determinação. Não é tempo de brincar aos truques políticos, senhores deputados!”
Em casa liguei a TV e vi que o fato se destacava na cerejeira, ou carvalho envernizado, do cenário do Parlamento, e a gravata muito bem, muito bem. Suor, nada. Mas, quanto ao conteúdo e à voz, nada acrescentava à rádio, a não ser que a oposição também montara um “abuso” e uma “mistificação”.
Isto quer dizer que, mais do que o computador Magalhães, os socialistas deram ao mundo uma nova palavra “humildade”, bastante portátil.
A minha filha entrou com a última gazeta da escola. “A política é implicar as pessoas”, escreveu uma criança. “Os grupos políticos têm diferentes opiniões sobre as coisas”, disse a minha filha.
O que uma criança de oito anos expressa limpidamente nem sempre é visto com humildade pelos grupos políticos. Agradeço a todos os que leram este texto, já tive dias melhores e vós também, imagino. Mantenham o rumo.
Parece ser consensual que a política de educação do Governo Sócrates contribuiu fortemente para o colapso eleitoral do PS. As medidas implementadas são bastante prejudiciais para a qualidade da escola pública. E a forma como politicamente foram implementadas inqualificável: os máximos responsáveis políticos, a quem deveria competir contribuir para a dignificação da profissão docente, foram os porta-vozes de uma campanha de difamação da classe, acusando-a de absentismo e incompetência para assim criarem o clima necessário, na opinião pública, à implementação das medidas cujo principal objectivo foi a redução da despesa. Ainda estará por analisar se existirá uma relação entre esta indesculpável atitude e o aparente aumento de problemas disciplinares nas escolas desde 2005/06.
Fonte: Blog Rua do Patrocínio
Este fim de semana o semanário Expresso ofereceu-nos, nas páginas centrais do seu jornal principal, uma entrevista à Sra. Ministra da Educação desta nossa adorável república. Eis a entrevista.
Esta entrevista a uma personagem que não é conhecida pela sua simpatia ou capacidade de diálogo é uma pequena surpresa. Nela surge uma senhora com ar prazenteiro, com alguma dose de ingenuidade em poses uma tanto impróprias para quem ocupa um cargo de Estado. Aparece-nos como uma ministra capaz de descontrair e até sorridente, quase simpática. Este governo está a efectuar uma pequena cirurgia plástica para parecer mais simpático e amoroso. Eis o cinismo.
Durante a triste entrevista fazem-se afirmações falsas como aquela
“Aceitando perfeitamente simpatias pessoais, concordâncias com políticas educativas e mesmo eventuais simpatias partidárias, permitam-me deixar aqui EXPRESSO o meu repúdio por, dentre outras, duas questões por vós elaboradas e colocadas à ministra da educação. São elas:
” Como podemos ter confiança num sistema de ensino onde a quase totalidade dos professores não quer ser avaliada?”
e
“Esperava que pedir aos professores para serem avaliados colocasse 100 mil professores na rua contra a sua política?”
Acho de uma falta de seriedade intelectual ou desconhecimento total da realidade a formulação de duas questões que, em si, são afirmações MENTIROSAS e que vão na linha da bandeira levantada por este ministério para ENGANAR O POVO PORTUGUÊS:
- Os professores SEMPRE foram avaliados, por um modelo bom ou mal, mas SEMPRE foram avaliados e QUEREM, FAZEM QUESTÃO de continuar a ser avaliados;
- Os professores NUNCA lutaram contra a avaliação: lutaram sempre contra ESTE MODELO DE AVALIAÇÃO e este ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE. Que é injusto, incompetente, inadequado, que não distingue os melhores e que apenas serve para que o estado corte nos salários dos professores.
O futuro dirá, caso estas políticas sigam adiante, se não se traduzirão no fim da nossa tão estimada Escola Pública.
E eu cá estarei, como professor, para mais uma vez aguentar os resultados e as consequências das MÁS POLÍTICAS EDUCATIVAS praticadas, sem poder, infelizmente, fazer as devidas cobranças a quem de direito.
Pois os responsáveis pelas mesmas já irão longe.
Como sempre.”
“O choque tecnológico está a chegar às escolas portuguesas. Os alunos portugueses vão ter direito ao Magalhães, um computador produzido pela Intel e subsidiado pelo Governo português. Os governantes acreditam que se juntarmos boa tecnologia (concebida nos Estados Unidos, produzida no Extremo Oriente e embalada em Portugal) a maus alunos, más escolas e maus professores vamos obter génios da física e da matemática.
O actual governo tem investido muito no dito choque tecnológico, mas de uma forma que considero bacoca e saloia. Até parece que tudo muda pelo facto de termos muita tecnologia nas escola. Apesar de trabalhar com as TIC na escola não acredito mesmo nada nesta visão governamental. Então não é necessário investir em TIC? Considero que sim mas com objectivos claros e definidos, nunca para inundar as escolas de tecnologia. Isto é apenas “a campanha eleitoral constante” que este governo faz sempre. Quer fazer passar a ideia de modernidade e de investimento na educação, mas o que faz é dar dinheiro às grandes empresas que se movem na área tecnológica. Grande parte desse dinheiro vem daquilo que “retirou” aos professores ao prejudicá-los na progressão da sua carreira.
Fonte: Blog – http://dererummundi.blogspot.com/2008/08/o-magalhes.html
A propósito dos exames vejamos esta opinião:
Uma das grandes “pancadas” desta equipa ministerial é a voracidade em realizar reformas. O ensino tem muitos problemas mas exagerar na quantidade e velocidade das reformas não ajuda nada. Sempre achei que a pressa e a teimosia em realizar tantas alterações em tão pouco tempo são umas das razoes do descontentamento da classe docente. Porque quem quer fazer depressa raramente faz bem.
Reparei que também Marcelo Rebelo de Sousa partilha desta opinião.