Educação em Portugal

Dezembro 27, 2008

A indisciplina na escola – o que fazer?

Arquivado em: educação, políticos — Zepovinho @ 4:32 pm
É preciso intervir contra a indisciplina nas escolas

O caso tem alguns contornos distintos do ocorrido há nove meses na escola Carolina Michaëlis, mas no essencial o que ocorreu na Escola do Cerco é tão gravoso quanto o seu precedente. Percebemos, mais uma vez, que o ambiente nas salas de aula portuguesas atingiu níveis de preocupante agressividade e impunidade. É urgente concertar uma posição entre professores, conselhos executivos, direcções regionais de Educação e Governo para fazer frente à crescente desobediência que lastra pelas escolas nacionais.

Além dos reprováveis actos que o vídeo documenta, a iniciativa de o divulgar através da Internet demonstra que os intervenientes não só se sentiram à vontade para ameaçar a professora em plena sala de aula, como fizeram questão de propagandear o seu lamentável comportamento.

As reacções da professora, da presidente do Conselho Executivo, Ludovina Costa, e da directora regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, voltaram a parecer demasiado brandas para aquilo que um caso como este exige. Desvalorizando que um aluno aponte uma arma, mesmo que de plástico, a uma professora – como fez a docente -, omitindo que isso aconteceu e lamentar apenas a divulgação do caso – como fez Ludovina Costa – e reduzindo o episódio a “uma brincadeira de mau gosto” – como fez Margarida Moreira – corre-se o sério risco de as palavras soarem quase como que a um convite para que situações destas continuem a repetir-se pelas salas de aula.

O alerta vem do presidente da Cáritas portuguesa: estamos perante “uma crise sem precedentes” e “o pior ainda pode estar para vir em 2009″. E a crueza dos factos apoia a dureza das palavras. Há mais gente a pedir apoio, desde aqueles que eram já carenciados e estão agora pior até àqueles pertencentes à classe média mas tão sobreendividados que não são já capazes de pagar as contas ao final do mês. O panorama negro traçado pela Cáritas é reforçado pela Assistência Médica Internacional, que enfrentou este ano um aumento de 20% dos pedidos de auxílio. E também o Banco Alimentar dá conta de um aumento das pessoas necessitadas a quem acode, com 245 mil a pedirem apoio em 2008, mais 25 mil que em 2007. Tal como Eugénio Fonseca, da Cáritas, também Isabel Jonet, do Banco Alimentar, prevê que “2009 vai ser um ano ainda pior”.

Perante alertas tão sérios, o pessimismo deve ser a última resposta. Portugal tem resistido melhor do que outros países aos efeitos da crise internacional. Da parte de quem governa, devem vir incentivos à dinamização da economia e medidas sociais que salvaguardem os mais frágeis. De todos os outros, exige-se maior produtividade, mais cautela na questão do endividamento e um espírito de solidariedade redobrado. É nas situações de crise que se testa a solidez das sociedades.

Editorial
Diário de Notícias, 26/12/2008

Afinal Sra. Ministra não é só indisciplina

Arquivado em: educação, políticos — Zepovinho @ 3:46 pm
50 agressões em escolas acabam no hospital


PEDRO VILELA MARQUES

Insegurança. A ameaça de um grupo de alunos a uma professora da Escola do Cerco, no Porto, com um pistola falsa segue-se a outros seis casos de ameaças com armas, registados no ano lectivo de 2007/2008. Fontes policiais destacam ainda os episódios em que as ameaças se concretizam

Procurador ordena investigação do Ministério Público

José – nome fictício – frequenta uma escola primária em Lisboa e um dia decidiu surpreender os amigos de recreio: levou a pistola 6.35do pai, já carregada com munições. Neste caso, o perigo foi detectado e a situação resolvida. Mas em 2007/2008, as autoridades receberam seis queixas de ameaças com recurso a armas. No mesmo período, e segundo fonte policial, ocorreram 50 casos de agressões graves nas escolas, em que a vitima teve mesmo de receber tratamento hospitalar.

Uma professora do Liceu Maria Amália, em Lisboa, teve de receber apoio psicológico depois de ter sido ameaçada por um aluno com uma pistola falsa. Este caso, ocorrido no início de Novembro e que resultou na suspensão do estudante, está ainda a ser investigado pela PSP.

Segundo dados do Ministério da Educação e do Observatório de Segurança em Meio Escolar já publicados, no ano lectivo 2006/2007 existiram 1424 agressões ou tentativas de agressões nas escolas, sendo a violência entre alunos a mais recorrente (1092 dos casos identificados). Quanto aos professores e funcionários, foram as vítimas em 332 dos casos.

Dário Prates, da Divisão de Investigação Criminal da Polícia de Segurança Pública, reconhece que este tipo de crime é o mais comum nas escolas portuguesas. A Grande Lisboa, o Grande Porto e Setúbal são os locais com mais ocorrências.

“E é preciso ter a noção que muito casos são abafados pelas escolas, que tentam apresentar números de sucesso e preferem não atacar os problemas de frente”, conta uma outra fonte policial contactada pelo DN. “Muitas das situações são relatadas às autoridades apenas por interposta pessoa, ou então quando surgem na internet ou na comunicação social, o que torna muito difícil o nosso trabalho”, continua.

João Grancho, presidente da Associação Nacional de Professores, também critica a postura das entidades que desvalorizam incidentes como o ocorrido na escola do Cerco, onde um grupo de alunos ameaçou a professora com uma pistola falsa. “Aligeirar os problemas não é a melhor solução. Temos isso sim de pensar que escola queremos e que comportamento queremos na sala de aula”, alerta o professor, comentando as declarações da directora da Direcção Regional de Educação do Norte, Manuela Moreira, que qualificou o caso do Cerco como uma “brincadeira de mau gosto”.

Numa reacção enviada ao DN, o Ministério da Educação garante que “a situação verificada na Escola do Cerco não foi desvalorizada, apenas lida nas suas exactas proporções”. A tutela deixa por esclarecer em que consistem “as exactas proporções” do caso da Escola do Cerco. Já a presidente do Conselho Executivo do estabelecimento de ensino informa que os alunos se dão bem com a professora e só um deles tem nota negativa a Psicologia, aula onde decorreu o incidente.

O Procurador Geral da República (PGR) parece não partilhar da posição do Governo e ordenou a abertura de uma investigação ao caso do Cerco por parte do Ministério Público.

Pinto Monteiro prometeu ainda remeter o caso para o Tribunal de Menores. Já em Abril deste ano, o PGR mostrou-se preocupado com o facto de crianças de seis anos levarem armas de fogo para as escolas.

Diário de Notícias, 27/12/2008

Os factos e as relevâncias

Arquivado em: educação — Zepovinho @ 3:42 pm
O FACTO E O QUE É IRRELEVANTE


Ferreira Fernandes

Leio uma notícia sobre a aula onde alunos do 11.º ano de escolaridade (tendo à volta de 16, 17 anos) apontaram uma pistola de plástico a uma professora: “Na origem deste caso (…) está um vídeo, com cerca de 30 segundos, filmado com um telemóvel, que mostra um grupo de alunos a ameaçar a professora de Psicologia com uma arma de plástico.” Eu quero fazer uma rectificação: na origem deste caso não está vídeo nenhum, como na origem da queda das Torres Gémeas não estão os filmes, que todos vimos, dos aviões a embater nelas. Na origem deste caso estão alunos a apontar uma pistola de plástico a uma professora. Faço a rectificação também porque a presidente da Associação de Pais da Escola do Cerco, no Porto, achou necessário informar que não foram os alunos que colocaram o filme no YouTube, mas “alguém que não é amigo deles.” Eu, se fosse da Associação de Pais daquela escola, focalizaria toda a minha atenção no facto maior, aquele que é “a origem deste caso”: alunos de 16, 17 anos apontarem uma pistola de plástico a uma professora. Enquanto estes factos extraordinários forem lavados com água de malvas, continuaremos a ter estes factos extraordinários.
Diário de Notícias, 27/12/2008

Dezembro 25, 2008

O que aí vem

Arquivado em: educação, políticos — Zepovinho @ 10:25 pm

Brincadeiras

Arquivado em: Portugal, educação, políticos — Zepovinho @ 10:19 pm

Aquando do incidente da aluna e da professora a lutar pelo telemóvel muita gente ficou espantada com o que passava na escola. O caso foi muito falado mas rapidamente foi esquecido. Dos responsáveis nacionais do ME não se ouviu uma palavrinha… Houve a instauração de um processo disciplinar e ameaça de ida a tribunal. O que não se sabe, porque não foi publicitado pelos meios de informação (talvez por acaso, ou não), foi que o processo foi arquivado pela DREN porque a aluna pediu desculpa à professora. E assim tudo ficou bem neste jardim…

Quem trabalha numa escola sabe que há um grande ambiente de indisciplina não controlada e que as coisas que aconteceram no Porto poderão voltar a acontecer. A Sr. Ministra teve a ousadia de afirmar que o que havia nas escolas era casos de indisciplina e não de violência. A Sr. como socióloga deveria ter consciência de que a indisciplina não controlada acaba por degenerar em violência, é só uma questão de tempo.

Hoje somos surpreendidos com uma brincadeira que houve na Escola EB23 do Cerco. A responsável da DREN afirmou ser uma brincadeira de mau gosto. Aposto que mais ninguém do ME se vai pronunciar. É essa a técnica da equipa política deste ministério deixar cair as coisas em saco roto e não fazer ondas. Assim parece que eles não têm qualquer responsabilidade. Caímos até no caricato de que este episódio já era do conhecimento do CE da escola mas só agora, depois do vídeo aparecer na Internet e de ser conhecido do país, é que vão avançar para procedimento disciplinar. Assim se vai vivendo nas escolas portuguesas. Os alunos vão para a escola brincar e não para estudar. Por isso é que os resultados escolares são o que são. A escola tornou-se um grande recreio para ter as crianças ocupadas e assim tudo está bem no reino da Socratolândia.

Há até alguns irresponsáveis que nos fóruns públicos dos jornais afirmam que a indisciplina dos alunos é resultado da luta dos professores e da sua atitude de contestação às políticas deste governo. Para estes Srs. o ideal era que os professores comessem e calassem. Assim tudo estaria bem. Quando as crianças se portassem mal ou tivessem maus resultados escolares a culpa seria também dos professores. É claro que a avaliação, completa ou nas suas várias versões simplex, resolveria tudo na escola. Tal como prevê a Sra. Ministra e o seu querido primeiro-ministro.

Assim vai a escola pública portuguesa. Deste modo se vai preparando a opinião pública para mais enfrentamentos à classe docente e para a consequente privatização da escola pública. Estes episódios mostram o que acontece na escola pública pretensamente inclusiva onde há muitos alunos que estão na escola mas não com a atitude para aprender e tão só para alimentar a estatística. Enquanto estão na escola não andam na rua a fazer asneiras, dizem alguns. Será verdade, mas também é verdade que, em muitos casos, se destrói a vontade de trabalhar destes e de outros alunos que até querem andar na escola para aprender. Ao mesmo tempo até convém para passar a ideia de reformar toda a escola pública e caminhar no sentido da sua privatização. Assim se vende a ilusão empresarialista da escola que conduzirá ao desatre tal como a ilusão liberal da economia levou ao desastre e à recessão que agora estamos a viver.

A propósito deste assunto:

- Notícia no Público

- Notícia na RTP

- Artigo no Educar

Dezembro 23, 2008

A avaliação do desempenho docente

Arquivado em: Portugal, educação, europa — Zepovinho @ 2:28 pm

A avaliação dos professores é um aspecto em que muitos opinam mas nem sempre têm conhecimentos para o fazer. Muitos querem comparar o desempenho docente a outras actividades profissionais esquecendo que não se pode comparar o que é diferente. A actividade docente é um trabalho de relação interpessoal, de valorização e transmissão do conhecimento e pretende atingir um fim – o conhecimento do aluno – que não se pode comparar a outros serviços ou produção de bens materiais. A aprendizagem que o aluno faz depende de muitos factores, sendo que não depende apenas do papel desempenhado pelo professor, mas também de factores externos à escola, como o agregado familiar, a sua inserção social e competências e particularidades pessoais do aluno.

A propósito deste tema convém referir que há um estudo realizado na Europa e América que se baseia na comparação de vários modelos de carreira docente e respectiva avaliação. Tive conhecimento deste estudo a partir dos comentários do Blog A Educação do meu Umbigo. Depois pesquisei na Internet e encontrei o estudo referido.

Estudo da Unesco >>>

Página de pesquisa no Google >>>

Apresentação / resumo do estudo >>>

Dezembro 22, 2008

Assinaturas e o rídiculo do ME

Arquivado em: disparates, educação, políticos — Zepovinho @ 11:39 pm

O ME continua na senda do cinismo e da hipocrisia.
Recentemente a Sra. Ministra recebeu um grupo de 13 professores que lhe foi entregar um abaixo-assinado (com 1500 assinaturas) em que defendiam o seu (da ministra) modelo de avaliação.

Hoje quando os sindicatos vão ao ME apresentar um outro abaixo-assinado (com cerca de 70 assinaturas), então não é que o Sr. SE Pedreira tem esta espectacular declaração “”Este baixo-assinado vale o que vale. As circunstâncias em que foi recolhido permitiram que qualquer pessoa sem nenhuma identificação o preenchesse e enviasse aos sindicatos”.

Enfim, cada um dá importância ao que quer, não é assim? Para alguns o contentamento de 1500 vale mais que o descontentamento de 70000.

Para saber mais:
http://ww1.rtp.pt/noticias/?article=379096&visual=26&tema=1

http://educar.wordpress.com/2008/12/22/13-e-que-e-o-numero-que-vale/

http://diario.iol.pt/sociedade/educacao-iol-mario-nogueira-avaliacao-ultimas-noticias-professores/1026047-4071.html

O que Sócrates pode aprender (mas não quer).

Arquivado em: educação, políticos — Zepovinho @ 8:01 pm

O que Sócrates pode aprender com Obama em matéria de Educação
José Manuel Fernandes – 2008/12/22
Editorial do jornal PUBLICO

A escolha de Obama para secretário da Educação recaiu num homem experiente, que gosta de trabalhar com as escolas, de testar soluções (incluindo as charter schools) e que não dita ordens do alto de uma torre de marfimQuase todas as escolhas de Barack Obama para a nova Administração têm suscitado alguma controvérsia, e a escolha, a semana passada,
de Arne Duncan para secretário da Educação foi, de uma forma geral, elogiada por todos os sectores – ou melhor, por todos menos os ligados a certas áreas da esquerda.
Entre os que mais apreciaram a escolha conta-se Steven D. Levitt, autor do best-seller Freakanomics, que escreveu no seu blogue no New York Times não existir ninguém melhor do que ele para o lugar. Porquê? Porque, além de ser um homem determinado e inteligente, Arne Duncan é um pragmático que não receia testar soluções diferentes para descobrir as que funcionam melhor. Ou até correr riscos desde que haja uma pequena possibilidade de, no fim, ter escolas mais eficientes e alunos mais bem preparados.
Durante os últimos sete anos superintendeu as escolas públicas de Chicago, o terceiro maior distrito escolar do país, e nesse período de tempo conseguiu resultados assinaláveis: basta notar que nas escolas básicas as médias subiram de 38 para 67 por cento nos testes nacionais, tendo Duncan corrido pelo meio o risco de permitir a Levitt que realizasse um estudo sobre fraudes nesse sistema de teste que acabou por levar ao despedimento de vários professores.
Mas não foi só por ter estudado na mesma escola de Obama, gostar como ele de basquetebol e ser de Chicago que o Presidente recém-eleito o escolheu. Foi por algumas das coisas que fez e que o Presidente recém-eleito fez questão de recordar. Por exemplo: durante o seu mandato o número de professores de Chicago que passaram por um teste nacional de certificação subiu de 11 para 1200; os melhores directores escolares, assim como os professores que conseguem fazer progredir os seus alunos passaram a receber prémios monetários; fechou escolas comprovadamente ingovernáveis e substituiu todo o pessoal ao abrir escolas novas; e foi desde sempre um campeão das chamadas charter schools “mesmo quando ainda eram controversas”, como sublinhou Obama.
Por isso, desde o liberal Washington Post ao mais conservador Wall Street Journal, a reacção da imprensa foi positiva. Este último jornal deu mesmo mais do que o benefício da dúvida a Duncan, pois considerou que tanto ele “como o [futuro] Presidente têm trabalhado para garantir que as charter schools fazem parte do conjunto de soluções necessárias para melhorar o sistema de educação [dos EUA]“.

É neste ponto que José Sócrates pode inspirar-se em Obama e distanciar-se dos que criticaram esta nomeação por ser contra a escola pública (ver, por exemplo, o artigo Obama’s betrayal of public education? Arne Duncan and the corporate model of schooling, de Henry A. Giroux and Kenneth Saltman, no blogue t r u t h o u t). E pode fazê-lo em dois pontos centrais, ambos contraditórios com a política do actual Ministério da Educação.
O primeiro é que existe mais do que uma solução possível para melhorar o sistema educativo e que a melhor solução não tem de ser imposta pela burocracia do ministério a todas as escolas, pois nem todas as escolas são iguais. Ora isto implica experimentar soluções diferentes e, entre elas, testar o modelo das charter schools que tanto sucesso têm tido nos Estados Unidos e no Canadá.
E o que são as charter schools? Na Annuália (edições Verbo) do ano passado, Fernando Adão da Fonseca, do Fórum para a Liberdade de Educação, descrevia-as assim: são “escolas públicas cuja gestão é atribuída a entidades privadas, com e sem fins lucrativos, por contrato”. O contrato tem objectivos, a autonomia de cada escola relativamente às autoridades é total, o acesso é livre para todos os alunos seja qual for o rendimento da sua família, a exigência é grande e por regra são menos pressionáveis pelos infinitos grupos de interesse que gravitam em torno das escolas públicas tradicionais. Daí que os que nela estudam consigam por regra melhores resultados, como provam os levantamentos realizados em Chicago onde se mostra que estes, em média, ficam 80 por cento acima das escolas públicas tradicionais nos mesmos bairros.
“Ao trocarem entre si a experiência de inovações que funcionam, as charter schools podem ajudar outras escolas e mais estudantes através de todo o sistema público de educação”, notava um dos apoiantes desta escolha, Tim King, ele mesmo um impulsionador da experiência em áreas urbanas.
Já quanto ao que Obama disse ao justificar a sua escolha, não poderia ser mais diferente do que temos ouvido aos responsáveis portugueses. Note-se, por exemplo, nesta passagem: “Quando Arne se dirigir aos professores, não o fará falando do alto de uma torre de marfim, antes tendo por base as lições que aprendeu durante os anos em que trabalhou procurando mudar as escolas a partir da base, [não do topo].”

Dezembro 21, 2008

Há mais coisas a contestar do que a avaliação

Arquivado em: educação — Zepovinho @ 1:18 pm

Finalmente os sindicatos começam a colocar a tónica nos vários aspectos que os professores contestam e não apenas na avaliação. Há coisas mais importantes para a vida dos professores e para a qualidade do ensino que a avaliação “burrocrática” que o ME quer impor.

Segundo o Publico de hoje:
A Plataforma Sindical de Professores entrega amanhã no Ministério da Educação (ME) “o maior abaixo-assinado de sempre” de docentes, a exigir a suspensão do processo de avaliação de desempenho e o fim da divisão da carreira em duas categorias.

O porta-voz da Plataforma, que reúne os 11 sindicatos do sector, garantiu que este será “o maior abaixo-assinado de sempre” da classe, ultrapassando as cerca de 60 mil assinaturas recolhidas em Novembro de 2006, contra o Estatuto da Carreiras Docente (ECD).

“Isto traduz o sentimento dos professores que é claramente pela suspensão da avaliação. Há uma determinação muito grande porque sabem que este modelo é apenas um instrumento de gestão colocado ao serviço do controlo da progressão na carreira e não ao serviço da melhoria do seu desempenho profissional”, afirmou Mário Nogueira, em declarações à agência Lusa.

“Só na Internet, em apenas cinco dias, já tínhamos cerca de 20 mil assinaturas. Fora as que foram recolhidas nas escolas”, acrescentou o dirigente sindical, sem conseguir, no entanto, adiantar uma estimativa final.

Além da suspensão do processo de avaliação, os signatários do documento a entregar segunda-feira à tarde ao secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, exigem uma revisão do ECD que permita substituir o modelo de avaliação, abolir as quotas para atribuição das classificações mais elevadas e eliminar a divisão da carreira em duas categorias hierarquizadas.

Para Mário Nogueira, o modelo de avaliação deve ter consequências na carreira, mas não pode ser esse o seu principal objectivo: “Deve ser um instrumento de melhoria do desempenho dos professores”.

O Governo aprovou quarta-feira em Conselho de Ministros o decreto-regulamentar que define as medidas de simplificação do processo de avaliação de desempenho, mas os sindicatos insistem na suspensão do modelo.

Quanto ao Estatuto da Carreira Docente, a equipa da ministra Maria de Lurdes Rodrigues aceitou proceder à sua revisão. As negociações deverão arrancar em Janeiro.

Durante a última manifestação de professores, que a 08 de Novembro reuniu em Lisboa cerca de 120 mil pessoas, segundo os sindicatos, foi agendada uma greve nacional para 19 de Janeiro, data em que se cumprem dois anos sobre a entrada em vigor do ECD.

Dezembro 18, 2008

Para bom entendedor

Arquivado em: educação, orgulho — Zepovinho @ 6:31 pm

Com uma referência especial ao blog:
http://educar.wordpress.com/

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