Aquando do incidente do Porto, com a aluna a lutar com a professora pelo telemóvel, muitos ficaram espantados e apelidaram o acto de violência, outros, acharam que era apenas indisciplina. Logo portanto concluiram que são coisas diferentes, violência e disciplina. Serão?
Nos últimos anos tem aumentado a indisciplina. Paralelamente os actos de violência também. Digo eu que ando na profissão há 26 anos. Logo posso concluir que a indiciplina é a primeira forma de violência, ou melhor ainda, é o patamar anterior à violência. Numa escola disciplinada mais dificilmente alguém recorre à violência, enquanto que numa escola indisciplinada a violência surge naturalmente, pois ninguém respeita ninguém.
É pois fundamental que se entenda a relação entre uma coisa e a outra. Que se estude e que se forneça ao professores meios e formação adequada para gerir estes fenómenos.
Recentemente Eric Debarbieux afirmava “os professores não são treinados para agir em caso de violência”. Pois é claro, os professores são treinados para a sua tarefa primordial, ou seja a “tarefa educativa”, como afirma Daniel Sampaio.
Quando a Sra. Ministra da Educação afirma ser importante distinguir entre indisciplina escolar e violência, está a agir como política. Não quer que se fale em violência, mas “apenas” em indisciplina, pois a primeira assusta as pessoas, enquanto que a segunda é um “problema menor” que é suportado pela escola e pelos professores. Ou seja, enfia a cabeça na areia, como já fez noutras vezes, minimiza os problemas, nega-os, para em contrapartida sobrevalorizar outros aspectos positivos e assim dar uma ideia maravilhosa do estado da educação em Portugal.
Será que se consegue aprender alguma coisa numa escola/turma indisciplinada? Poupe-se hoje na educação para gastar amanhã nas polícias, prisões e tribunais.
Para entender melhor esta problemática, a não perder dois artigos no PUBLICO on-line:
Eric Debarbieux
Daniel Sampaio