Educação em Portugal

Abril 28, 2008

Como cambater a indisciplina

Arquivado em: educação — Zepovinho @ 6:48 pm

Para combater a indisciplina reinante é fundamental conhecermos as propostas que existem e as reflexões que outros já fizeram sobre o assunto. Deste modo ficamos com mais ferramentas de trabalho e poderemos experimentar aquelas que melhor se adequem às nossas práticas e aos nossos alunos.

Assim sendo a não perder as reflexões colocadas no blog ProfAvaliação.

Reflexões de uma eurodeputada do PS

Arquivado em: educação, políticos, portugueses — Zepovinho @ 6:45 pm

Gostei de ler as reflexões da eurodeputada do PS, Ana Gomes. Tem um discurso que vai de encontro às questões cahve da escola e do ensino em Portugal. Assume alguma autocrítica e reconhece os erros que foram cometidos.

É pena que não haja mais políticos com responsabilidade no partido do governo para verem os erros que estão a ser cometidos e a arruinar as próximas gerações de portugueses.

Vamos pagar muito caro os erros que se estão a cometer. Que gerações estamos a formar? Que cidadãos estamos a construir?

Abril 21, 2008

Domínio da comunicação social

Arquivado em: diversos — Zepovinho @ 6:16 pm

É impressionante como este governo tem o apoio de muita da comunicação social. Colaboram em tudo o que pode passar uma mensagem subliminar, cínica e mentirosa, enganado tudo e todos com a sua aparente simplicidade e objectividade.

Há que passar para a opinião pública a ideia que os professores estão zangados com a ministra porque esta os faz trabalhar mais e lhes retirou os privilégios de que gozavam. É uma pobre e indefesa criatura que nem pára para comer e trabalha para o bem comum fazendo tudo aquilo que devia ter sido feito por outros mas não tiveram coragem para tal. Não questionam as alarvidades que ela pronuncia sobre as escolas e a educação. Aceitam pacificamente tudo o que ela diz sobre a educação nos outros países europeus.

Este fim-de-semana tivemos dois exemplos do que acabei de referir. Uma entrevista do Correio da Manhã e um artigo de opinião na revista do Diário de Notícias. Ambas publicadas no passado dia 20.

No caso do Correio da Manhã impressiona a forma aprofundada e preparada como a entrevista é feita. Nota-se que o jornalista (António Ribeiro Ferreira) sabe do que pergunta e estudou bem a lição. Ajustando as perguntas ao discurso da mulher que “admira” e que “tem feito um grande trabalho no Ministério da 5 de Outubro” e tem “tomado um conjunto de medidas que eram necessárias há muitos anos e que por falta de coragem política foram sendo sucessivamente adiadas“. Admirável!

Mas atenção que o jornalista afirma que “…as opiniões, como é óbvio, não interferem na forma como as questões foram colocadas a Maria de Lurdes Rodrigues“. uma ministra que “não pára, muitas vezes nem para almoçar“. Novamente qualifica a senhora ministra como “Uma mulher determinada, inteligente, que percebe bem as razões que levam os professores para a rua. Nunca, em trinta anos, alguém lhes impôs princípios que são hoje universais.” Fantástico. Admirável. Quase que sinto vontade de votar nesta senhora…

Ficamos a saber algumas coisas nesta entrevistinha:

  • A ministra não chantagiou os professores ameaçando os contratados, mas apenas clarificou a situação;
  • Os professores não precisam de ser um corpo à parte da função pública;
  • As associações sindicais criaram nos últimos anos um corpo homogéneo e os professores são muito diferentes;
  • Os professores funcionavam completamente à solta;
  • Com a ministra esta situação mudou, não deixando para os sindicatos a decisão política;
  • A reforma da gestão das escolas e o estatuto do aluno é muito importante;
  • A repetência e o chumbo são os elementos mais facilitistas do sistema educativo;
  • Os chumbos prejudicam muitíssimo a nossa posição no PISA;
  • Hoje há muito conhecimento, a pedagogia evolui muito;
  • O Plano Nacional de Leitura está a pôr a descoberto a falta de preparação dos professores?
  • As aulas de substituição reduziram a indisciplina;
  • Há mais trabalho. Está tudo a trabalhar;
  • A escola é um local muito pacífico e a indisciplina está a baixar;
  • Os casos de violência são gerados no exterior da escola;
  • Com menos dinheiro e menos pessoas conseguiu-se melhores resultados;

Enfim, uma entrevista a não perder, quanto mais não seja para ver até que ponto pode chegar a intoxicação, o cinismo e a técnica de bem dominar a comunicação social.

O outro caso digno de nota foi um artigo de opinião da jornalista Fernanda Câncio no Notícias Magazine. Mais uma obra prima da mensagem subliminar. Uma vez mais percebemos que os professores têm privilégios e não querem ser avaliados e que deviam ser um exemplo para os alunos mas não são.

Abril 17, 2008

Foi assinado o acordo=entendimento=diálogo

Arquivado em: Portugal, educação — Zepovinho @ 5:26 pm

Foi hoje assinado o entendimento entre os sindicatos e o ME. Há diferentes interpretações semânticas quanto à natureza do evento – acordo=entendimento=diálogo. Bom, entenderam-se, espero que seja para o bem de todos.

Uma coisa é certa a educação apresenta muitos problemas e é urgente resolvê-los. Não se pode deitar a culpa apenas para cima dos professores (e foi o que tem feito este governo), mas obviamente também temos as nossas responsabilidades. Quanto mais não seja pela ausência de auto análise do que fazemos e da quase neutralidade com que temos executado as políticas que nos têm sido imposta pela leva de vinte e tal ministros da educação nos últimos trinta anos. Devíamos ter sido mais interventivos e críticos, para com os políticos e para connosco mesmos.

Agora uma coisa é certa, a responsabilidade do que se passa nas escola vai muito para além da vida nas paredes internas dos estabelecimentos de ensino e a nossa sociedade tem muito que evoluir para que a escola possa cumprir o seu objectivo.

“17.04.2008 – 16h02 – carlos alberto, maia-portugal
Os professores,abriram a porta do diálogo,que foi fechada pelo governo . Até aqui tudo foi imposto e os malefícios à classe foram imensos… os professores uniram-se muito tarde … mas quando se uniram o governo ficou receio sobretudo pelas consequências nas próximas eleições ; nada mais… Nunca um governo foi tão injusto para com os professores,como este governo socialista … dito socialista…Pois foi esta classe a mais atingida . Não esqueçam …parafraseando certas entidades moralmente muito respeitadas “…os professores fazem mais falta à sociedade do que muitos políticos …”"

É lamentável que continuem a dizer que os professores não querem ser avaliados. Não é verdade! Este entendimento é uma prova disso. E também não é verdade que o principal problema do ensino, a fraca qualidade das aprendizagens dos alunos, seja resolvido pela avaliação (esta ou qualquer outra) do desempenho individual dos professores. Só assim fala quem não reflecte sobre o ensino e a aprendizagem.

Hoje em dia os alunos que querem aprender têm condições de aprendizagem e professores que os ajudam. Pode haver uma ou outra excepção mas os professores são profissionais sérios e competentes. O problema está no nível de esforço pessoal (indispensável) que os alunos não aplicam. E assim não há aprendizagem. É claro que os alunos hoje têm outras coisas que lhes dão mais gozo fazer. Alguém duvida?

A nossa sociedade, ao contrário da Finlandesa, não estimula nem premeia o esforço e a dedicação ao trabalho. Os pais não têm tempo, e muitas vezes, nem interesse, para acompanhar os filhos e incentivar o esforço individual.

Abril 16, 2008

Ainda o dia D

Arquivado em: Portugal, educação — Zepovinho @ 10:13 pm

Voltando ainda ao dia D, o prof. Santana Castilho escreveu no Público de hoje um artigo que sintetiza muito bem a minha visão da actual situação. A ver vamos no que dá a atitude “vitoriosa” dos sindicatos.

Este artigo (santana_castilho) é de leitura indispensável.

Ser professor

Arquivado em: educação, humor, portugueses — Zepovinho @ 8:20 pm

O humor pode ajudar-nos a passar a ideia do que é ser professor hoje .  Um filme a não perder.

 

Abril 15, 2008

Hoje foi o dia D

Arquivado em: educação, políticos — Zepovinho @ 9:36 pm

Hoje foi o dia D. Houve reuniões sindicais nas escolas para discutir e aprovar o protocolo de entendimento negociado com o ME.

A democracia é uma coisa muito bonita e é sempre bom ver os professores reunidos para debaterem os seus problemas. Podemos concordar ou não com as coisas, mas temos sempre a obrigação de participar e debater trocando ideias com os outros. Depois que vença a maioria. É assim que se faz em democracia.

Não concordo com o protocolo de entendimento. Acho que não é uma boa ideia aceitar estes pequenos “presentes” do ME, e acima de tudo embarcar na chantagem que nos foi movida pelo ministério ameaçando os professores mais frágeis, ou seja, os contratados. No meu entender os sindicatos contestam a chantagem, mas objectivamente ela resultou e obrigou os sindicatos a ceder.

Apesar de tudo ninguém gosta de oposição, nem o ME, nem os sindicatos. Só assim se compreende as afirmações de Mário Nogueira referidas no Público de hoje:
“Mário Nogueira critica quem anda “a criar confusão” e apela à união dos professores
15.04.2008, Filomena Fontes e Andreia Sanches
Numa altura em que se começam a ouvir as vozes de descontentamento sobre o entendimento alcançado entre a Plataforma dos Sindicatos dos Professores e o Ministério da Educação, o líder da Fenprof (Federação Nacional dos Professores), Mário Nogueira, lançou ontem, no Porto, um apelo, veemente, à unidade da classe, desafiando mesmo “aqueles que andam a criar confusão “a serem sérios e a não dividirem os professores”.
“Não estamos em tempo de unanimismos, estamos em tempo de consensos. Mas quem vem dizer que não conseguimos nada, que entusiasmo está dar aos professores [para prosseguir a luta]?”

Concordo plenamente com o post “Erro a evitar” do blog A Educação do Meu Umbigo.
http://educar.wordpress.com/2008/04/15/erro-a-evitar/

Abril 12, 2008

Afinal de contas

Arquivado em: educação — Zepovinho @ 4:16 pm

Afinal de contas houve entendimento. Depois de três anos às turras o ME  chegou a um entendimento com os sindicatos de professores.

Os sindicatos falam em vitória. Não concordo. Houve simplesmente uma ajustamento de posições porque para o ano há elelições e a ideia do PS é “tirar o ar ao balão dos protestos”, acalmar os sindicatos, dar-lhes umas migalhas e depois tentar nova maioria nas próximas eleições e aí então ai dos professores vão pagar com juros toda a contestação ao governo do Engº.

Atarvés deste acordo os sindicatos aceitam este modelo de avaliação, validam o estatuto da carreira e aceitam a divisão da carreira em dois patamares. Não sei se isso é uma grande vitória… É claro que obrigam a ministra a sair do pedestal e a aceitar um acordo. Mas creio que é um recuo táctico pré-eleitoral.

Não gostei mesmo nada do último ponto da proposta do ME e que os sindicatos aceitaram. Mas porque carga de água onde estes senhores (sindicalistas e políticos) ter condições especiais para aceder à categoria de professores titulares e assim chegar ao topo da carreira? Isto já não são privilégios?

Algumas verdades

Arquivado em: Portugal, educação — Zepovinho @ 3:20 pm

Embora numa perspectiva um pouco “liberal” demais para o meu gosto, apesar de tudo este artigo, da autoria de Herique Raposo, publicado no Expresso de 5 de Abril, contém algumas verdades que me parecem evidentes.

“A autoridade do professor nasce de um “trade-off”: o professor transmite conhecimento ao aluno e, em troca, recebe o respeito do dito aluno; o aluno respeita o professor porque sabe que precisa do dito professor para absorver o conhecimento necessário. Sucede que o Ministério da Educação português destruiu esta velha troca. Hoje, o conhecimento é irrelevante na avaliação do aluno. Toda a gente sabe que os adolescentes acabam o secundário sem saber escrever correctamente. Os professores estão ‘proibidos’ de chumbar os alunos mesmo quando estes não sabem escrever. Chumbar um aluno é um acto ‘reaccionário’ – eis a verdade absoluta que os burocratas e pedagogos do Ministério impuseram aos professores. Perante isto, os alunos deixaram de respeitar o professor. Naturalmente: já não é preciso ‘aprender’ para passar de ano.”

(…)

“São imensas as causas que explicam a ascensão asiática e o declínio ocidental. Destaco apenas uma: nas escolas asiáticas, os professores são todos ‘reaccionários’, isto é, têm autoridade pedagógica e disciplinar sobre os seus alunos.”

Abril 7, 2008

Inconstitucionalidade no concurso de titulares

Arquivado em: Portugal, educação, políticos — Zepovinho @ 9:25 pm

O Tribunal Constitucional deu mais um puxão de orelhas à equipa do ME. Não havia necessidade de tanta pressa, de tanta trapalhada. Enfim, são os políticos que temos.

De borrada em borrada até ao fim…

Ler o artigo do Público.

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