Educativ = Educação

Julho 10, 2008

Milagre (ou mentira) estatístico(a)

Arquivado como: educação, políticos, portugueses — Zepovinho @ 10:22 pm

Os recentes exames do 12º ano e agora os do 9º ano, parecem demonstrar, se tivermos em conta os seus resultados, que os nossos alunos estão a estudar melhor e a obter melhores resultados. Acham plausível que de um ano para o outro as negativas caiam 40%?

Cá por mim não acredito, mas enfim há gente crédula que acha que sim.

Eis algumas opiniões expressas pelos leitores do PUBLICO on-line com as quais concordo:

10.07.2008 - 22h47 - Mário Rodrigues, Leiria
Apesar da fraude dos exames nacionais de Matemática, elaborados para alunos do 7.º ano, os resultados mostram qual é a realidade do sistema educativo português. O problema não está na Matemática nem nos professores de Matemática. O problema está no sistema educativo como um todo, um sistema baseado na mentira e no sucesso estatístico, imposto aos professores pelos iluminados do Ministério da Educação. Durante anos pensei que fosse uma questão de incompetência. Hoje tenho a certeza que o objectivo é destruir o sistema público de ensino, favorecendo o desenvolvimento do ensino privado, com dois objectivos: reduzir a despesa pública e perpetuar na dominação político-social a casta dominante do actual regime.

10.07.2008 - 22h45 - Luisa Carneiro, Setúbal, Portugal
(…) eu até compreendo que haja uma faixa da sociedade que quer, que precisa de acreditar que estamos a caminhar para algum lado, que os resultados que este governo apresenta (e não é só na educação) significam de facto uma melhoria do sistema, mas, por mais que me doa dizê-lo…o rei vai nu!!!! Os resultados dos exames não significam que os professores estejam a trabalhar mais, que os alunos estejam a estudar mais ou que estejam mais motivados…significam só que os exames foram mais fáceis. Ponto final. Numa das últimas aulas que dei este ano a uma turma do 10º ano, um aluno, para fazer a conta 0.5+0.5, quis usar a calculadora. Quando o impedi, fez a conta à mão (de cabeça não ia mesmo lá) e o resultado foi…10!!! Se calhar é porque a sala não tinha um quadro electrónico…

10.07.2008 - 22h32 - Pedro, Lisboa
Peço um grande favor antes de criticarem seja quem for. Vejam o exame, depois, comentem. Os professores de matemática, como profissionais que são, sempre tiveram preocupação com o bom desempenho dos seus alunos, agora dispôem de mais meios para tal. Só a título de exemplo, transcrevo a pergunta 3 do exame: “Numa sala de cinema, a primeira fila tem 23 cadeiras. A segunda fila tem menos 3 cadeiras do que a primeira fila. A terceira fila tem menos 3 cadeiras do que a segunda e assim, sucessivamente, até à última fila, que tem 8 cadeiras. Quantas filas de cadeiras tem a sala de cinema? Explica como chegaste à tua resposta.” Eram aceites como totalmente certas, até respostas em esquema….nem que fosse com as cadeirinhas desenhadas…. Então o que têm a dizer agora?

Julho 3, 2008

Um país de mentira

Arquivado como: Portugal, políticos, portugueses — Zepovinho @ 9:53 pm

Para que acha que tudo está bem, continue a sonhar…

Para quem quer ouvir algumas verdades, nuas e cruas, então veja este vídeo na SIC on line.

Eu próprio não gosto de algumas coisas que Medina Carreira diz, mas há outras que são importantes.

É claro que os políticos não vão gostar de ouvir muitas destas coisas…

Junho 26, 2008

Verdades, inverdades e cinismo

Arquivado como: educação, políticos, portugueses — Zepovinho @ 10:48 am

Continua a política das meias verdades, senão mesmo mentiras (perdão, inverdades) da actual equipa ministerial.

Como é  possível que um alto responsável do ministério afirme, com a maior serenidade, que não é responsável pela equipa que realiza os exames - GAVE? Como?

Se visitarmos a página do ME vemos claramente que o GAVE faz parte dos serviços centrais do ministério, logo depende da Sra. Ministra da Educação. Porque não se tem a coragem de assumir as coisas?

Talvez porque confiem na burrice e analfabetismo funcional dos eleitores portugueses. Mas será que estes o são realmente? Espero que dêem a resposta adequada nas próximas eleições.

Fonte: A Educação do meu Umbigo (ler este artigo)

Junho 24, 2008

Indisciplina não é violência?

Arquivado como: Portugal, educação, políticos, portugueses — Zepovinho @ 5:46 pm

Aquando do incidente do Porto, com a aluna a lutar com a professora pelo telemóvel, muitos ficaram espantados e apelidaram o acto de violência, outros, acharam que era apenas indisciplina. Logo portanto concluiram que são coisas diferentes, violência e disciplina. Serão?

Nos últimos anos tem aumentado a indisciplina. Paralelamente os actos de violência também. Digo eu que ando na profissão há 26 anos. Logo posso concluir que a indiciplina é a primeira forma de violência, ou melhor ainda, é o patamar anterior à violência. Numa escola disciplinada mais dificilmente alguém recorre à violência, enquanto que numa escola indisciplinada a violência surge naturalmente, pois ninguém respeita ninguém.

É pois fundamental que se entenda a relação entre uma coisa e a outra. Que se estude e que se forneça ao professores meios e formação adequada para gerir estes fenómenos.

Recentemente Eric Debarbieux afirmava “os professores não são treinados para agir em caso de violência”. Pois é claro, os professores são treinados para a sua tarefa primordial, ou seja a “tarefa educativa”, como afirma Daniel Sampaio.

Quando a Sra. Ministra da Educação afirma ser importante distinguir entre indisciplina escolar e violência, está a agir como política. Não quer que se fale em violência, mas “apenas” em indisciplina, pois a primeira assusta as pessoas, enquanto que a segunda é um “problema menor” que é suportado pela escola e pelos professores. Ou seja, enfia a cabeça na areia, como já fez noutras vezes, minimiza os problemas, nega-os, para em contrapartida sobrevalorizar outros aspectos positivos e assim dar uma ideia maravilhosa do estado da educação em Portugal.

Será que se consegue aprender alguma coisa numa escola/turma indisciplinada? Poupe-se hoje na educação para gastar amanhã nas polícias, prisões e tribunais.

Para entender melhor esta problemática, a não perder dois artigos no PUBLICO on-line:

Eric Debarbieux

Daniel Sampaio

Maio 28, 2008

Imagine

Arquivado como: Uncategorized — Zepovinho @ 9:40 pm
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Isto tem andado muito parado.

Vivemos uma certa paz podre, depois do entendimento. A ver vamos…

Enquanto, talvez seja a altura de imaginar e sonhar.

Aqui vos deixo uma música para vos ajudar - Imagine, de John Lenon

Maio 22, 2008

“A educação para a autoridade é um valor que tem vindo a ser descurado”

Arquivado como: educação, portugueses — Zepovinho @ 10:44 am

O problema da autoridade dos professores é uma questão que vai para além dos muros da escola. É uma questão da sociedade. De referir que a nossa sociedade não é muito respeitadora da autoridade. Basta ver a forma como as pessoas se comportam no dia-a-dia, no trânsito, no estacionamento, na forma de dialogar, no futebol, etc.

Todas as formas de autoridade são contestadas, veja-se o que acontece se um polícia começar a multar os condutores que estacionam os carros de uma forma incorrecta. Veja-se o que se passou recentemente numa esquadra, onde estava apenas uma agente da autoridade.

No caso dos professores, temos também de referir a posição que o M.E. tem adoptado. Para o efeito leia-se esta entrevista de alguém que julgo ser uma pessoa que conhece o sistema educativo e reflecte sobre os seus problemas. Creio que faz uma leitura correcta da questão da autoridade dos professores e coloca os pontos nos is “As famílias são os ninhos onde se desenvolve a educação, os pais são e serão sempre os primeiros e principais educadores“.

Em relação ao modo como a sociedade olha para os professores e a relação disto com a autoridade: “Aos professores, a sociedade, todos os actores sociais devem o maior apoio (certamente crítico) e conceder a maior consideração. Se são diariamente desautorizados, como é que os adolescentes e jovens vão respeitar a sua autoridade? Há muito boa gente que se tem divertido a desautorizar os professores e as escolas, escrevendo permanentemente artigos e dando entrevistas. Há certas “modas” perversas que se pagam muito caro.

Fonte: Educare

Maio 17, 2008

Recibos verdes - atrasos, abusos e hipocrisias

Arquivado como: disparates, educação, políticos, portugueses — Zepovinho @ 4:52 pm

Uma vez mais o governo da hipocrisia é apanhado em falso. Afinal há vencimentos em atraso, falsos recibos verdes e precariedade no Estado. É claro que os nossos queridos governantes não sabiam de nada. E agora que toda a gente sabe, então já arranjaram solução para o problema. Aliás, este problema foi herdado (!?). Enfim, as mentiras do costume.

O programa Novas Oportunidades que foi “inventado” por este governo tem vencimentos em atraso e a Sra. Ministra vem afirmar que estes problemas foram herdados…

Abril 28, 2008

Como cambater a indisciplina

Arquivado como: educação — Zepovinho @ 6:48 pm

Para combater a indisciplina reinante é fundamental conhecermos as propostas que existem e as reflexões que outros já fizeram sobre o assunto. Deste modo ficamos com mais ferramentas de trabalho e poderemos experimentar aquelas que melhor se adequem às nossas práticas e aos nossos alunos.

Assim sendo a não perder as reflexões colocadas no blog ProfAvaliação.

Reflexões de uma eurodeputada do PS

Arquivado como: educação, políticos, portugueses — Zepovinho @ 6:45 pm

Gostei de ler as reflexões da eurodeputada do PS, Ana Gomes. Tem um discurso que vai de encontro às questões cahve da escola e do ensino em Portugal. Assume alguma autocrítica e reconhece os erros que foram cometidos.

É pena que não haja mais políticos com responsabilidade no partido do governo para verem os erros que estão a ser cometidos e a arruinar as próximas gerações de portugueses.

Vamos pagar muito caro os erros que se estão a cometer. Que gerações estamos a formar? Que cidadãos estamos a construir?

Abril 21, 2008

Domínio da comunicação social

Arquivado como: Uncategorized — Zepovinho @ 6:16 pm

É impressionante como este governo tem o apoio de muita da comunicação social. Colaboram em tudo o que pode passar uma mensagem subliminar, cínica e mentirosa, enganado tudo e todos com a sua aparente simplicidade e objectividade.

Há que passar para a opinião pública a ideia que os professores estão zangados com a ministra porque esta os faz trabalhar mais e lhes retirou os privilégios de que gozavam. É uma pobre e indefesa criatura que nem pára para comer e trabalha para o bem comum fazendo tudo aquilo que devia ter sido feito por outros mas não tiveram coragem para tal. Não questionam as alarvidades que ela pronuncia sobre as escolas e a educação. Aceitam pacificamente tudo o que ela diz sobre a educação nos outros países europeus.

Este fim-de-semana tivemos dois exemplos do que acabei de referir. Uma entrevista do Correio da Manhã e um artigo de opinião na revista do Diário de Notícias. Ambas publicadas no passado dia 20.

No caso do Correio da Manhã impressiona a forma aprofundada e preparada como a entrevista é feita. Nota-se que o jornalista (António Ribeiro Ferreira) sabe do que pergunta e estudou bem a lição. Ajustando as perguntas ao discurso da mulher que “admira” e que “tem feito um grande trabalho no Ministério da 5 de Outubro” e tem “tomado um conjunto de medidas que eram necessárias há muitos anos e que por falta de coragem política foram sendo sucessivamente adiadas“. Admirável!

Mas atenção que o jornalista afirma que “…as opiniões, como é óbvio, não interferem na forma como as questões foram colocadas a Maria de Lurdes Rodrigues“. uma ministra que “não pára, muitas vezes nem para almoçar“. Novamente qualifica a senhora ministra como “Uma mulher determinada, inteligente, que percebe bem as razões que levam os professores para a rua. Nunca, em trinta anos, alguém lhes impôs princípios que são hoje universais.” Fantástico. Admirável. Quase que sinto vontade de votar nesta senhora…

Ficamos a saber algumas coisas nesta entrevistinha:

  • A ministra não chantagiou os professores ameaçando os contratados, mas apenas clarificou a situação;
  • Os professores não precisam de ser um corpo à parte da função pública;
  • As associações sindicais criaram nos últimos anos um corpo homogéneo e os professores são muito diferentes;
  • Os professores funcionavam completamente à solta;
  • Com a ministra esta situação mudou, não deixando para os sindicatos a decisão política;
  • A reforma da gestão das escolas e o estatuto do aluno é muito importante;
  • A repetência e o chumbo são os elementos mais facilitistas do sistema educativo;
  • Os chumbos prejudicam muitíssimo a nossa posição no PISA;
  • Hoje há muito conhecimento, a pedagogia evolui muito;
  • O Plano Nacional de Leitura está a pôr a descoberto a falta de preparação dos professores?
  • As aulas de substituição reduziram a indisciplina;
  • Há mais trabalho. Está tudo a trabalhar;
  • A escola é um local muito pacífico e a indisciplina está a baixar;
  • Os casos de violência são gerados no exterior da escola;
  • Com menos dinheiro e menos pessoas conseguiu-se melhores resultados;

Enfim, uma entrevista a não perder, quanto mais não seja para ver até que ponto pode chegar a intoxicação, o cinismo e a técnica de bem dominar a comunicação social.

O outro caso digno de nota foi um artigo de opinião da jornalista Fernanda Câncio no Notícias Magazine. Mais uma obra prima da mensagem subliminar. Uma vez mais percebemos que os professores têm privilégios e não querem ser avaliados e que deviam ser um exemplo para os alunos mas não são.

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